“Vou ficar mais um ano para tentar o bicampeonato”, diz treinador do Académica do Mindelo Carlos Machado

Carlos Machado, técnico português da Académica do Mindelo, equipa campeã nacional de futebol, época 2021-22, defende que “quem é treinador em Cabo Verde consegue treinar em qualquer lado” e aponta que pretende deixar a sua marca no futebol cabo-verdiano.

“A Académica do Mindelo é um grande aqui de Cabo Verde, realmente a realidade do futebol é muito diferente a nível de infra-estruturas e de condições, mas é o que eu digo aos meus amigos portugueses: quem é treinador aqui consegue treinar em qualquer lado”, disse Carlos Machado numa extensa entrevista ao jornal desportivo português Zerozero.

Durante a entrevista, intitulada “Do mundo da roupa ao título em Cabo Verde:  Quem é treinador cá, é em qualquer lado”, publicada esta segunda-feira, 18, no jornal eletrónico luso, Carlos Machado discorreu sobre a vinda ao arquipélago, com passagem antes por Espanha, falou do estado do futebol cabo-verdiano e a sua chegada ao actual campeão nacional.

“Eu tentei profissionalizar um pouco o clube. Mesmo a mentalidade do jogador, porque aqui falta aos jogadores a mentalidade profissional. A nível técnico e físico são jogadores muito bons (…) também a parte tática é preciso ser muito trabalhada e quem traz tudo isto para o futebol cabo-verdiano consegue ter sucesso, e os resultados estão à vista”, contou.

Em relação ao ano de estreia, quando o campeonato regional de São Vicente foi suspenso por causa da covid-19 a duas jornadas do fim e com a Académica no primeiro lugar, Carlos Machado considerou que a decisão ultrapassou as questões sanitárias.

“Chegar aqui e na primeira época praticamente destronar o Mindelense, como deve calcular deixou os nervos instalados. E então essa decisão foi um bocado polémica, teve a ver com os poderes instalados”, explicou o técnico português que na última temporada (2021/2022) perdeu o campeonato regional na derradeira jornada.

“Perdi o campeonato da ilha na última jornada, aquilo assustou-me um bocado e tinha medo que a equipa baixasse os braços, mas aconteceu o contrário. Aquilo foi quase como um clique, trabalhámos o psicológico dos jogadores e graças a Deus conseguimos criar um grupo forte”, notou.

Quanto ao título nacional, conquistado 33 anos depois, disse que foi um “libertar” de muitas coisas e que doravante vai ser visto com reconhecimento, projetanto que pretende deixar a sua marca no futebol cabo-verdiano.

Falando sobre o futuro, o treinador campeão nacional disse que a médio/longo prazo pretende voltar para Portugal “para o meu continente”, mas garante que na próxima  época vai continuar à frente da Académica do Mindelo.

“No próximo ano vou continuar aqui, mais uma vez, também porque fui campeão, e quem é campeão tem acesso direto ao Nacional no próximo ano, mesmo que desça de divisão no campeonato da ilha. Por isso vou ficar mais um ano para tentar o bicampeonato”, concluiu o timoneiro da “briosa” do Mindelo, que é filho de pai cabo-verdiano e que viveu na ilha do Sal até aos 13 anos de idade.

Carlos Machado comandou em 2016/17 o Areas, da terceira divisão espanhola e tem passagens por Mirandela e Boavista (treinador adjunto), FC Foz (treinador principal), e Salgueiros (juniores, sub-15).

Inforpress

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