YALI 2023: Kesia Lima quer mostrar que “trabalhar com Cabo Verde e África não deve ser visto como ação social, mas sim como um mercado relevante”

Antes da partida para os EUA, o Balai Cabo Verde publica os depoimentos dos sete bolseiros cabo-verdianos que foram selecionados para a Mandela Washington Fellowship, no âmbito do Programa para Jovens Líderes Africanos (YALI) 2023.

Darlene Barreto, Michel Cabral, Melania Semedo, Wagner Gomes, Kesia Lima, Raúl Duarte Soulé e Nestor Andrade são os sete cabo-verdianos que partem neste mês de junho para os EUA para participar em mais uma edição do programa YALI onde integram um grupo de 700 bolseiros africanos. Até então, Cabo Verde conta com 48 jovens saídos desta iniciativa.

A arquiteta Kesia Lima, 31 anos, é natural da cidade da Praia, onde reside e trabalha atualmente. A jovem que lidera o departamento de Design na empresa internacional Cambridge Innovation Center (CIC), foi colocada na Universidade de Rutgers, no estado de Nova Jersey, e vai participar num programa de liderança em negócios juntamente com outros 25 jovens Africanos de diferentes países.

Qual foi a tua motivação para concorrer à bolsa?

Conheço o programa Mandela Washington Fellowship desde que regressei a Cabo Verde após concluir os meus estudos em 2016, nessa altura não pude concorrer porque ainda não tinha idade para tal, mas acredito que inconscientemente mantive os valores de serviço à comunidade que o programa exige dos participantes. No ano passado quando tomei conhecimento que as candidaturas estavam abertas, apesar de alguma hesitação em concorrer por ter de deixar o meu filho pequeno para participar no programa, acreditei ser o momento certo do meu percurso para tal. Trabalhar remotamente numa empresa com uma missão de “Concertar o mundo através da inovação (To fix the world through innovation)”, com projetos apenas fora de Cabo Verde, sempre instalou em mim a vontade de trazer todo esse conhecimento e impacto para a minha comunidade, no entanto para uma empresa privada com a escala da CIC, um mercado com Cabo Verde não faz sentido devido à sua escala e assim como Cabo Verde muitos outros países emergentes onde a inovação acontece de várias formas não são atrativas pois não foi explorada internamente um modelo que se adapta a esta realidade. No entanto para mim sempre fez confusão falarmos de “concertar o mundo através da inovação” e atuarmos num nicho muito reduzido de países. Posto isto o programa Mandela Washington Fellowship mostrou ser uma oportunidade excelente para reunir os recursos necessários e elaborar um modelo de negócio que permita construir centros de inovação em países emergentes permitindo a troca de conhecimento e colocando estes países como membros que, não só tenham algo a aprender, mas que também têm muito para ensinar. Para mim, já está mais do que na hora de nos posicionarmos (Cabo Verde e África) como país e continente que têm algo a dizer e conhecimento a partilhar.

Quais as expectativas quanto à formação?

Para mim este programa vai permitir conhecer jovens líderes Africanos que estão a fazer a diferença nas suas comunidades, aprender como é que a inovação acontece nos contextos onde estão inseridos e trabalhar com eles para nos posicionarmos como continente de forma mais positiva e menos vitimizada. Para além das relações profissionais, conto dedicar tempo e recursos disponibilizados pelo programa para trazer um plano de ação concreto que permitirá uma melhor colaboração entre a minha empresa (CIC) e a minha comunidade (Cabo Verde).

Que mais-valias achas que podes obter desta experiência, nomeadamente na tua área de atuação em Cabo Verde?

Para mim a maior valia desta experiência será conhecer a realidade do meu continente contado na primeira pessoa e menos filtrado, pois sinto que no meu percurso tive poucas oportunidades de contacto com outros países do continente Africano. Neste momento não tenho os dados para apresentar Cabo Verde e África como um destino que merece estar numa rede global de centros de inovação de forma sustentável, conto regressar do programa com dados e parceiros concretos para mostrar que trabalhar com Cabo Verde e África não deve ser visto como ação social, mas sim como um mercado relevante pelos seus potenciais.

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