YALI 2023: Michel Cabral espera reforçar o espírito de voluntariado em prol da sua comunidade

Antes da partida para os EUA, o Balai Cabo Verde publica os depoimentos dos sete bolseiros cabo-verdianos que foram selecionados para a Mandela Washington Fellowship, no âmbito do Programa para Jovens Líderes Africanos (YALI) 2023.

Darlene Barreto, Michel Cabral, Melania Semedo, Wagner Gomes, Kesia Lima, Raúl Duarte Soulé e Nestor Andrade são os sete cabo-verdianos que partem neste mês de junho para os EUA para participar em mais uma edição do programa YALI onde integram um grupo de 700 bolseiros africanos. Até então, Cabo Verde conta com 48 jovens saídos desta iniciativa.

Natural de São Salvador do Mundo, Michel Jeremias Freire Cabral, de 29 anos, é licenciado em Filosofia (Política e Relações Internacionais), mestre em Integração Regional Africana pela Universidade de Cabo Verde e doutorando em Estudos Globais pela Universidade Aberta. O jovem, que trabalha na Câmara Municipal de São Salvador do Mundo, foi colocado na Universidade de Cornell, em Ithaca (Nova Iorque), onde vai estudar Liderança Pública, bem como participar no PDE (experiência de desenvolvimento profissional) durante 1 mês.

Qual foi a tua motivação para concorrer à bolsa?

Depois de em 2018, ter sido selecionado para servir na Comissão da União Africana, em Adis Abeba, Etiópia, no Departamento de Comércio e Indústria, enquanto membro do corpo de voluntariado juvenil da União Africana e, em paralelo com a minha contribuição enquanto monitor de terreno no programa de Alerta Precoce da CEDEAO, responsabilidade que tenho assumido desde 2015, experiências que já me permitiram conhecer grande parte do continente, a oportunidade de participar no YALI Mandela Washington 2023 atinge o topo das minhas expectativas e dos meus sonhos. A minha motivação para concorrer à bolsa Mandela Washington Fellowship prendeu-se à vontade e à necessidade de estar o mais preparado possível no que se refere ao sector da liderança pública, e estar ao dispor para o ajudar no desenvolvimento da minha comunidade, do meu país e continente. Devo também destacar a motivação académica, na qualidade de doutorando.

Quais as expectativas quanto à formação?

As minhas expectativas são as melhores possíveis. Não me faltará dedicação para a produção de conhecimentos, ou seja, partilhar e receber conhecimentos académicos à volta das temáticas a serem lecionadas, o conhecimento de outras culturas africanas, o conhecimento do modus-operandi na liderança pública norte-americana, e no resto da África Subsaariana, mas também, a partilha do que de bom existe em Cabo Verde a todos os níveis, a boa governação pública, o municipalismo, as forças da sociedade civil, o sistema educativo, a nossa rica cultura e os bons modos do cabo-verdiano.

Que mais-valias achas que podes obter desta experiência, nomeadamente na tua área de atuação em CV?

A minha área de trabalho atual enquadra-se na função pública, estando desde 2021 muito dedicado em servir o Gabinete do Presidente da Câmara Municipal de São Salvador do Mundo, um município no qual tenho a honra de também servir como deputado municipal. Também, o trabalho de voluntariado (internacional) continua a me acompanhar. De modo que, através desta experiência (Mandela Washington Fellowship), pretendo voltar a Cabo Verde, munido de ferramentas práticas da boa governação municipal, ferramentas de resiliência, ferramentas de resolução de situações de emergências governativas e lideranças em situações de crises, melhor domínio da língua inglesa enquanto língua de trabalho global, ideias e projetos de empoderamento da sociedade civil, das famílias e das classes vulneráveis. Espero igualmente reforçar o espírito de voluntariado, e adquirir competências com vista à criação e implementação de projetos socioeducativos, contribuindo para o desenvolvimento social e económico da minha comunidade.

 

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