2023 – o ano da minha saudade maior

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Photo by Oleksandr P on Pexels.com

2023 – o ano da minha saudade maior

2023 - o ano da minha saudade maior, mas também foi o ano que me mostrou, que a Maria que me pariu, criou e educou, criou uma mulher que é um talento na escrita, só preciso acreditar mais nisso.
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Janeiro da minha angústia
da última conversa leve
do último silêncio carregado de amor
e do último abraço entre avó e neta.

Fevereiro dos marcos sobre o dia dos nossos nascimentos,
do parabéns a você à cinco filhos e dois netos,
e do veredicto – não há mais nada a fazer.

Março da minha dor maior
do nosso último abraço,
do teu último “Deus ta companhob nha fitche”

Abril águas/lágrimas mil
solidão sem fim numa viagem de 36 horas

Maio sem mãe, sem Maria
Maio vivido sem sentir

Junho da minha criança órfã, revoltada, triste
Julho da volta à casa vazia de mãe
cadeirão vazio, lençol impregnado dos cheiros
da vida que ali existiu

Agosto quente, leve e da “quase” aceitação
Setembro da paz finalmente encontrada
no quarto que me viu ser desmamada
e foi testemunha do primeiro sopro de vida dos meus manos mais novos.

Outubro da dor reacendida
da aceitação consciente da minha orfandade.

Novembro nem água nem azeite à espera que Dezembro traga as lembranças e cheiros da casa onde cresci.

Dezembro que continua a ser o mês melancólico
que precisa ser ressignificado por mim
e passar a vivê-lo com o amor e amizade que a mamã me ensinou.

2023 – o ano da minha saudade maior, mas também foi o ano que me mostrou, que a Maria que me pariu, criou e educou, criou uma mulher que é um talento na escrita, só preciso acreditar mais nisso.

Queridos leitores, desejo que em 2024 não vos falte saúde, e não se esqueçam de viver o hoje, de agradecer o hoje, de aproveitar ao máximo o hoje, e principalmente: não façam aos outros aquilo que não gostariam que fizessem convosco.

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Vera Figueiredo

Vera Figueiredo

"Patxê parloa que cresceu em São Vicente, e que fala o crioulo com sotaque de S. Antão. Relações Públicas de formação, ambientalista de coração, adora ler, e escrever é a forma que encontrou de enfrentar os demónios e os anjos que habitam em si. Deve à minha mãe o gosto pela escrita e o tom sarcástico. Escreve mais prosa do que poesia e é sempre sobre a realidade do outro entrelaçado com a sua, com doses q.b de ironia. Uma “contadora de estórias dos outros” e se não fosse Relações Públicas, seria Astronauta"

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