A medida do sucesso

Todos os dias e a qualquer hora, através das diversas redes sociais, temos acesso à vida de milhões de pessoas. Algumas dessas pessoas são nossos familiares, amigos, conhecidos, pessoas famosas que gostamos (jogadores de futebol, atores, cantores) e mais recentemente celebridades das redes sociais (os influencers). E outros ilustres desconhecidos que o algoritmo dessas redes sociais nos sugerem tendo em conta o nosso histórico e as nossas preferências.

O imenso mundo à nossa volta cabe na palma das nossas mãos graças ao nosso smartphone, um mundo de possibilidades se abre para nós pois não estamos confinados à nossa comunidade, país como dantes.

As inúmeras vantagens da globalização e da tecnologia que hoje temos não são o motivo de eu estar aqui, mas sim a preocupação com os efeitos desse acesso à vida de milhões de pessoas que desconhecemos. A preocupação com os efeitos de sermos constantemente confrontados com o sucesso, a beleza e felicidade que esses milhões partilham e que nos querem fazer crer ser a sua realidade.

Desde crianças somos comparados e comparamo-nos com os outros, nossos irmãos, colegas de escola, vizinho, e por aí adiante. Algumas comparações bem-intencionadas com intuito de apelar ao nosso brio e superarmo-nos e outras nem tanto, e conforme a maturidade de cada um, serviram para nos motivar ou para nos sentirmos menores que o objeto da nossa comparação.

Hoje em dia o leque das pessoas com as quais nos comparamos cresceu exponencialmente e esquecemos que tudo o que vimos nas redes sociais é escolhido a dedo, retocado e publicado para surtir um efeito, que é ter o maior número de visualizações, likes e comentários possíveis.

Escolhemos e postamos as fotos e vídeos que nos favorecem e transmitem aquilo que a nosso ver se coaduna com a nossa imagem ou com aquela que queremos ter e/ou ser.

Não há mal nenhum em nos comparamos aos outros, no entanto temos de ter bem presente que não conhecemos o que realmente corresponde à realidade, esquecendo que apenas temos acesso ao que o outro escolheu para partilhar.

O problema existe quando passamos a sentirmo-nos menos do que o outro por não nos revermos no que nos é transmitido, começarmos a desejar aquilo que os outros têm (emprego relevante, família, casa, amigos, corpo de sonho, dinheiro, viagens) por ser essa a medida do sucesso que a sociedade atual define como tal.

(…) na realidade o sucesso deveria ser medido por aquilo que cada um pretende para si”

É-nos exigido um bom emprego, um parceiro, filhos, carro e casa própria, um grupo de amigos e um corpo fit para sermos considerados bem-sucedidos. Quando na realidade o sucesso deveria ser medido por aquilo que cada um pretende para si.

Temos de estar constantemente a fazer um exercício de autocontrole de forma a não nos sentirmos esmagados com o que se espera de nós, ou o que achamos que esperam de nós e darmos ouvidos aos nossos sonhos e àquilo que para nós faz sentido a cada momento.

Cada ser humano que já existiu, existe e virá a existir é único e porque deveremos todos caber nessa única definição de sucesso?

As mesmas redes sociais que nos permitem ver o glamour da vida das pessoas famosas e não só, também nos informam dos vícios delas, dos desequilíbrios da sua vida fora das luzes da ribalta. Somos confrontados com suicídios de famosos que aparentemente tinham uma vida de sonho, que não conseguiram aguentar com a pressão que sentiam e viviam. O que nos devia relembrar que não conhecemos verdadeiramente essas pessoas, que nos foi apenas permitido ver o quadro perfeito que a sociedade deles exigia ou que eles assim entendiam. Damos conta que a pessoa que idealizamos não existe.

Cada ser humano que já existiu, existe e virá a existir é único e porque deveremos todos caber nessa única definição de sucesso? A pessoa que sou hoje é diferente da que era há um ano e porque é que o sucesso terá de ser medido sempre da mesma forma?

Uma pessoa com tudo aquilo que a sociedade define como sucesso pode ser feliz, pois esse poderá ser o projeto que definiu para si, pois corresponde ao que realmente quer e pelo qual se esforçou por conquistar. Como pode ser igualmente feliz quem escolheu para si viver sozinho, não constituir família e não ter bens materiais de elevado valor.

A medida do sucesso deverá ser olharmos para dentro de nós, sermos autênticos e vivermos segundo o que nos completa e queremos, pois, que a vida é curta e não queremos chegar ao leito da morte e darmos conta que passámos pela vida sem a termos efetivamente vivido. Não nos podemos esquecer que somos os únicos responsáveis pela concretização dos nossos sonhos.

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Adénis Carvalho Silva

Adénis Carvalho Silva

"Filha, mãe, esposa, advogada. Amiga dos seus amigos. Leal, honesta e direta. Uma apaixonada por música, livros e pela escrita. Amante de uma boa conversa e de aprender coisas novas. Em permanente busca de novos desafios."

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