Africanos, derrubem esses muros

O relatório "Africa Visa Openness Report 2023" classificou Cabo Verde em 8º lugar em África em termos de acessibilidade de vistos, num universo de 54 países. Este feito é um testemunho do compromisso do país com a cooperação regional, facilitando não apenas as viagens para turistas internacionais, mas também promovendo a livre circulação de pessoas dentro do continente africano.
Africanos, derrubem esses muros

O país demonstra que a abertura de fronteiras e a facilitação da mobilidade humana são ferramentas poderosas para o desenvolvimento económico e social. Outra nação africana, o Ruanda, ao tomar a ousada decisão de abrir suas fronteiras para todos os africanos, permitindo a entrada sem a necessidade de visto, ilustra ainda mais o potencial transformador dessa abordagem.

No entanto, a experiência do homem mais rico de África, Aliko Dangote, serve como um lembrete dos desafios que ainda persistem. Apesar de sua fortuna estimada em mais de 14 bilhões de dólares, revelou que precisaria de 38 vistos para viajar pelo continente africano com seu passaporte nigeriano. Essa realidade contrasta com a facilidade com que muitos cidadãos europeus podem entrar na maioria dos países africanos sem a necessidade de visto.

No que diz respeito ao comércio intra-africano, embora a sua participação no total do comércio do continente tenha aumentado de 10% em 1995 para cerca de 16% atualmente, ela continua baixa em comparação com os níveis na Europa (59%), Ásia (51%) e América do Norte (37%).

A Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) surge como uma grande esperança para superar esses obstáculos, criando a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo 1,3 bilhões de pessoas, com um valor combinado do produto interno bruto (PIB) de 3,4 trilhões de dólares. De acordo com o Banco Mundial, a AfCFTA tem o potencial de tirar 30 milhões de pessoas da pobreza extrema, sendo 12 milhões delas (mais de um terço do total) na região da África Ocidental. Além disso, as medidas de facilitação do comércio, que reduzem a burocracia e simplificam os procedimentos aduaneiros, poderiam resultar em cerca de 300 bilhões de dólares em potenciais ganhos de rendimento.

É preciso eliminar tarifas e barreiras comerciais entre os países africanos, priorizando produtos estratégicos e setores-chave como a manufatura e a agricultura. A simplificação de procedimentos alfandegários e a harmonização de padrões de qualidade também são cruciais para facilitar a movimentação de bens e serviços. Além disso, investimentos em infraestrutura de transporte e logística são essenciais para melhorar a conectividade regional e reduzir os custos de comércio.

Não basta apenas derrubar barreiras comerciais. A adoção de políticas de visto mais abertas e flexíveis é outra frente importante. Ao nos inspirarmos no histórico pedido de Ronald Reagan para derrubar o Muro de Berlim, em 12 de junho de 1987, exortamos os líderes africanos: se realmente desejam prosperidade para África e o seu povo, derrubem esses muros!

¹https://www.intrafricantradefair.com/en/about-us
²https://www.worldbank.org/pt/topic/trade/publication/the-african-continental-free-trade-area

 

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Joayrton Barbosa

Joayrton Barbosa

Licenciado em Relações Internacionais, Pós-graduado em Tradução do Inglês, MBA em Comércio Exterior e Finanças Internacionais e MBA em Gestão de Projetos pela Universidade de São Paulo. Com um profundo interesse nas Relações Internacionais e no continente africano, é o fundador e editor do The Cape Verdean Report, um blog no LinkedIn dedicado a reflexões sobre os domínios financeiros, bancários, das relações internacionais e da política, concernentes a África em geral e Cabo Verde em particular.

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