Do combate ao coronavírus à queda da máscara: a guerra continua

Do combate ao coronavírus à queda da máscara: a guerra continua

Dizem que a união faz a força e que a fé move montanhas. Realmente, temos constatado isso nos últimos dois anos e tal de luta contra à pandemia de Covid-19.

Num contexto adverso à nossa existência, vimos a força da união dos homens a fazer mover a montanha que, de um dia para o outro, se impôs no nosso caminho, devolvendo-nos a esperança de um novo normal.

No começo, por não sabermos bem que potencial arsenal trazia consigo o nosso inimigo, tivemos que nos recolher ao conforto do nosso lar, durante vários dias, para reduzir o risco de contágio e dar tempo às autoridades para preparar uma resposta à invasão viral em curso. O distanciamento físico passou a ser norma e a nossa casa se transformou em escritório, escola e sala de reuniões virtual.

Muitos chegaram mesmo a vaticinar que estávamos a assistir ao início do fim dos tempos

Da noite para o dia, as nossas cidades amanheceram vazias, um cenário apocalíptico dos filmes de ficção cientifica à Hollywood, que retratam invasões alienígenas e ataques de zombies. Realmente, o mundo estava sob ataque de um inimigo invisível que se propagava tal qual uma criatura ‘alien’ e infetando, diariamente, milhões de humanos, numa espécie de praga zombie. Muitos chegaram mesmo a vaticinar que estávamos a assistir ao início do fim dos tempos.

Sair à rua, somente nos casos estritamente necessários, senão, autorizados. Não se sabendo da localização do inimigo e dada a sua capacidade de dissimulação, da porta de casa para fora, a máscara passou a ser, não um acessório, mas sim um obrigatório. O medo e a sensação de insegurança também criaram alguns exageros, como por exemplo, desinfetar tudo o quanto era permitido entrar em casa, incluindo as compras. A saúde mental de muitos esteve seriamente comprometida!

Durante o período de isolamento, tivemos que derrubar barreiras e recriar novos mundos, tudo no conforto dos nossos lares. A vida e a convivência social se reinventaram. As redes sociais e as plataformas virtuais mantiveram-nos unidos e nos aproximaram daqueles de quem o vírus nos isolou. Fizemos correntes de apoio e palmas se ouviram em determinados momentos, para motivar e agradecer aqueles que, infelizmente devido ao tipo de profissão, continuavam a arriscar as suas vidas e a das suas famílias, para garantir a nossa segurança e a nossa sobrevivência. Super-heróis do mundo real, de carne e osso, desprovidos de capas protetoras e ‘super poderes’ para se defenderem do inimigo. Infelizmente, muitos tombaram no campo de batalhas.

Pusemos as nossas esperanças na ciência e na tecnologia. Clamamos, desesperadamente, por uma cura, uma arma que nos pudesse permitir dar combate eficaz ao inimigo e proteger, pelo menos, os mais vulneráveis que não paravam de sucumbir diariamente. Também teve quem se agarrou às orações para pedir proteção divina ou que acreditou no poder da medicina tradicional, para manter afastado o vírus.

O combate ao coronavírus deu provas que somos uma só raça e que basta a união dos povos para a humanidade conseguir dar combate a qualquer adversidade

Finalmente, as soluções começaram a aparecer. Vários laboratórios de renome mundial apresentaram, em tempo recorde, vacinas anti-covid-19. A maioria bateu palmas de alegria e do nosso interior, ressequido pela preocupação e desânimo, brotou a almejada esperança de vitória e regresso ao novo normal. Ainda assim, uma minoria, refém das teorias de conspiração e que antes já desconfiava da origem do vírus, torceu o nariz e pós em causa a boa-fé das autoridades e o timing de desenvolvimento das vacinas.

No caso de Cabo Verde, a escassez de vacinas condicionou o arranque do processo de vacinação. Porém, rapidamente começaram a chegar ao país os primeiros lotes de vacinas, dando-se, assim, início à campanha nacional de vacinação. Paulatinamente, a taxa de vacinação foi crescendo, não só graças a uma maior disponibilidade de vacinas como também devido a obrigatoriedade de apresentação do certificado de vacinação para viagens e realização de eventos de cariz cultural ou social.

No entanto, falta vencer a guerra porque o inimigo ainda continua a circular por aí.

Não obstante às variantes do vírus que têm surgido, a humanidade tem conseguido manter-se firme na luta contra o inimigo e, graças as muitas batalhas que resultaram em vitórias para os humanos, já se consegue levar uma vida próxima daquela que se tinha antes do surgimento do coronavírus. Em muitos países, incluindo Cabo Verde, salvo uma ou outra exceção, o uso da máscara já não é obrigatório e eventos culturais de aglomerações, como os festivais de verão, já são permitidos. No entanto, falta vencer a guerra porque o inimigo ainda continua a circular por aí.

 

O combate ao coronavírus deu provas que somos uma só raça e que basta a união dos povos para a humanidade conseguir dar combate a qualquer adversidade que surja no caminho da nossa evolução. Só não se esperava que depois de todas as vidas que se ajudou a salvar, o homem voltasse a assumir o papel de maior inimigo da sua própria existência. Até que enfim caiu-nos a máscara!

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Socram d'Arievilo

Socram d'Arievilo

É natural da ilha das montanhas, lugar que preenche o seu imaginário e que serve de cenário para as suas criações. Na literatura, a sua preferência recai sobre a poesia, mas também interessam-lhe os géneros contos tradicionais e ficção científica.

Outros artigos

Deixe um comentário

Follow Us