Dores de cabeça permanentes para os emigrantes

No verão começa a corrida para ir de férias e visitar familiares, amigos, ou mesmo só passear. Nesta altura temos dois problemas que nos acompanham, há mais, mas agora vou focar nestes dois, que saí ano, entra ano e é a mesma coisa. Tudo bem que vai havendo melhorias nos setores, mas os problemas continuam a ser preocupantes para os emigrantes que vão de férias.
Alfândega

O primeiro problema é encontrar os bilhetes mais em conta para irmos visitar a nossa estimada terra natal. O resultado nem sempre é o que esperamos, porque os preços muitas vezes são tão altos que parece que uma pessoa tem que vender um rim para ir de férias, salvo a expressão. Temos concorrência é verdade e ainda bem, quer dizer que existem opções para compra. Se bem que muitas vezes os preços estão tão parecidos, que aí pergunto “Qual é o sentido de ter a concorrência mesmo?” É preciso ter uma visão alargada da concorrência e apresentar aos contribuintes valores diferentes para assim poderem escolher a melhor opção para o seu bolso e para o seu bem-estar.

No dia em que escrevo a coluna fiz uma pesquisa nas duas principais empresas que fazem voos para Cabo Verde e só para constar havia uma diferença grande entre as duas. Claro que não estavam baratas, mas em cima da hora qualquer voo para qualquer lugar do planeta fica mais caro. A melhor opção é sempre procurar com muito tempo de antecedência e assim garantir um preço que cabe no bolso de todos os emigrantes que estão na luta diária para ter uma vida digna e poder ir visitar a sua terra sem entrar em falência.

Por exemplo, tenho uns amigos que vão em agosto e compraram os bilhetes no ano passado por um bom preço e com bagagem incluída. A questão é que nem sempre é possível fazer tal planeamento com tamanha antecedência. Também já ouvi falar que existem agências onde se pode comprar os bilhetes e ir pagando aos poucos. É uma solução para quem não tenha o dinheiro a pronto.

Depois dos bilhetes comprados, começam os preparativos para irmos de férias. Claro que como bons emigrantes que somos e adoramos o envio de um “bidon”, não podia faltar! É aí que começa o próximo problema dos emigrantes. Lembra-se que falei, lá acima, em dois setores que preocupam os emigrantes? Ah, pois é, o desalfandegamento de pequenas encomendas é uma das preocupações dos emigrantes.

Têm tido melhorias no setor, o que tem facilitado, mas é sempre um problema retirar as nossas encomendas das Alfândegas. A grande questão é levantar o “bidon” e/ou a caixa, antes das férias terminarem. Eu sempre vivi de perto com emigrantes e muitas vezes vi algumas pessoas retirarem as suas encomendas dias antes de regressarem para o seu país de acolhimento. Algumas vezes aconteceu de não conseguirem levantar durante o período das férias, delegando para uma pessoa fazer o serviço. Na maior parte das vezes no “bidon” vão produtos e bens para ajudarem os emigrantes e presentes para os familiares

Fica mais barato enviar produtos por via marítima, do que enviar por via área, principalmente porque as bagagens são uma lotaria nos bilhetes. Quer dizer se queres mais bagagens, pagas mais. É bom ter a opção sem bagagem para quem só vai de mochila, ou uma mala de mão, mas para quem vai de férias e quer levar lembrancinhas para a família fica complicado. Por isso, optar por um “bidon” é uma das escolhas à disposição dos emigrantes.

Mais uma vez é preciso fazer um planeamento do tempo necessário para ter a encomenda à sua disposição nas férias. Talvez a melhor opção é ter alguém de confiança que o retire antes da sua chegada, assim garante que os produtos estarão à sua espera. O problema é que muitas vezes não é possível ter alguém para fazer o desalfandegamento.

O jeito é agilizar o processo e facilitar a vida dos emigrantes que vão de férias e querem ter os seus bens à sua disposição. Nem a propósito, no dia em que escrevi a coluna, li uma matéria no jornal “A Nação”, com o título “São Vicente: Centro de Pequenas Encomendas alarga horário de funcionamento”. Segundo o artigo, “todos os anos, por esta época das férias, em que muitos emigrantes regressam à ilha, aumenta a procura desses serviços e, este ano, a Enapor fala em um “aumento excecional da demanda””. Esta medida vai facilitar a vida dos emigrantes e evitar as filas gigantescas que acontecem sempre por esta altura e sem esquecermos a época do Natal quando acontece o mesmo problema.

O mesmo artigo destaca o agendamento para levantar as encomendas através do site www.enapor.cv. Claro que curiosa do jeito que sou, segui o link para ver como funciona. É bom saber da existência do serviço porque uma pessoa que vai de férias pode-se agendar logo antes de chegar. De qualquer forma é preciso ter o número dos pertences e creio que só é conseguido na agência local.

O desalfandegamento é um tema recorrente e também foi uma das preocupações que a Comunidade Cabo-Verdiana em Algarve apresentou ao Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e à comitiva, durante a sua visita estes dias por Portugal.

É preciso sim ter uma atenção ao assunto e ajudar os emigrantes com as suas remessas. Desta forma ajuda-os a ter férias tranquilas sem uma constante deslocação aos serviços alfandegários.  Não podemos esquecer que é uma forma de apoio às famílias e também ao desenvolvimento do país.

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Ziza Almeida

Ziza Almeida

"Nascida e criada na ilha do Monte Cara, ganhou asas para o mundo. É Jornalista de formação pela UERJ, Brasil. Adora viajar, ler, ir ao cinema, ao teatro e estar com as pessoas que ama. Atualmente vive em Lisboa, é colunista na Revista Brasileira "Coluna de Terça''e é mãe de duas princesas Luso-Caboverdianas."

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