Elas: tão meigas, tão ordinárias

As mamas, ou para soar menos vulgar, os seios são o "canal" por onde cada ser humano recebe o seu primeiro alimento. São, igualmente, o maior símbolo das fêmeas, e talvez por isso, sofreram durante séculos, a maior das repressões: a prisão ditada pelo uso do sutiã, corpetes e companhia limitada.

Pois é, Outubro chegou, e com ele a preocupação com elas aumenta. Parece que elas, durante os trinta dias do mês 10 do ano, passam a ser o centro de tudo, quando na verdade, elas SÃO o centro de tudo.

As mamas, ou para soar menos vulgar, os seios são o “canal” por onde cada ser humano recebe o seu primeiro alimento. São, igualmente, o maior símbolo das fêmeas, e talvez por isso, sofreram durante séculos, a maior das repressões: a prisão ditada pelo uso do sutiã, corpetes e companhia limitada.

Hoje, em pleno século XXI, as mamas são a parte do corpo feminino, mais censurada nas diferentes redes sociais. E como é possível mostrar e ensinar como fazer o toque, que permite às mulheres e homens, conhecerem seus seios e mamilos (sim, homens também devem fazer o toque), se não é “permitido” usar um corpo feminino para o fazer?

Até quando milhares de mulheres padecerão desta doença que mutila e mata, por puro falso moralismo de alguns, que ao classificarem essa parte tão linda do corpo da mulher, como algo ordinário, as impede de aprender a identificar alterações nos próprios seios?
Como sensibilizar para a prevenção do câncer de mama, sem mostrar as mamas e os mamilos?

É Outubro Rosa, e ELA Byvfiga traz-vos um poema (?) dedicado a elas: tão meigas e tão ordinárias.

…são vários os nomes que nos dão.

uns mais meigos,

outros ordinários!

somos sempre um par,

como gémeos.

não necessariamente iguais, mas únicos.

podemos ser pequenos e redondos

como um limão “di terra”,

médios e densos como a maça da tentação,

bicudos como pêras suculentas,

‘bindinhos’ de cuscuz

ou fartos, grandes e decididos.

 

somos o símbolo das fêmeas.

e somos o canal por onde cada ser humano

recebe o seu primeiro alimento.

 

a moral ditou que nós devemos estar

presos, escondidos e

espremidos para dentro de uma proteção,

que nos tempos idos, foi opressão.

 

a opressão continua

em formatos sensuais,

tecidos macios,

cores vibrantes e suaves.

a opressão são os sutiãs.

sutiãs que a moral criou para

supostamente nos proteger.

 

espremidos, prensados,

atados por conta da moral,

muitos de nós ficam doentes,

minguam e morrem!

 

deixem-nos livres

soltos,

atentos.

vivemos durante séculos

sem amarras nem prisão.

deixem-nos ser o que somos:

seios,

mamas,

tetas,

às vezes meigas

outras vezes ordinárias,

mas sempre atentas !

 

Vera Figueiredo

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Vera Figueiredo

Vera Figueiredo

"Patxê parloa que cresceu em São Vicente, e que fala o crioulo com sotaque de S. Antão. Relações Públicas de formação, ambientalista de coração, adora ler, e escrever é a forma que encontrou de enfrentar os demónios e os anjos que habitam em si. Deve à minha mãe o gosto pela escrita e o tom sarcástico. Escreve mais prosa do que poesia e é sempre sobre a realidade do outro entrelaçado com a sua, com doses q.b de ironia. Uma “contadora de estórias dos outros” e se não fosse Relações Públicas, seria Astronauta"

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