“Ka Bu Skesi Tradison”― Expira irreverência e a Fotograma da Alegoria do Mito da Tradição

“Ka Bu Skesi Tradison”― é uma experiência artística de uma linguagem dialética que ultrapassa a grande maioria dos videoclipes produzidos no meio musical cabo-verdiano.

Djam Neguin é um nómada criativo e um pastor solitário na terra agreste [do mesmo que é produzido todos os dias] que pouco sumo. Embora os vídeoclipes sejam entretenimentos, “Ka Bu Skesi Tradison”― é uma experiência artística de uma linguagem dialética que ultrapassa a grande maioria dos videoclipes produzidos no meio musical cabo-verdiano.

A dialética está no take do videoclipe, nos cortes e nas montagens que trazem argumentos simbólicos que o artista expõe para ser visto, interpretado e sentido. O que é sentido, dá um frio na barriga, por que “Ka Bu Skesi Tradison” esmaga a simplificação da realidade.

Não seria de tudo exagerado afirmar: ― é obra para outra latitude e conversação. É arte na sua elevação, “Ka Bu Skesi Tradison”, só perde para a genialidade do videoclipe “Suzi” de Gil Semedo.

A elaboração deste videoclip deve ter dado mais trabalho que os construtores da Torre de Babel, embora o atrevimento do artista não seja de abeiçar Deus na sua omnisciência, mas, a obra em si é um elogio à criatividade e à estética. Um artista quando consegue dar [aqui, ofertar mesmo!] um trabalho estético de grande valor simbólico ― começamos a questionar: o que quer dizer esta imagem (a fotografia), este fragmento (qualquer peça de arte), este som (a musicalidade) ou este corpo (a dança)? Para além de tudo ser belo (a estética), a obra em si, consegue ter múltiplas linguagens e interpretações, participando na criação e nas metamorfoses das grandes obras que a arte vai dando.

Todos os pormenores fazem da canção “Ka Bu Skesi Tradison” um recital de estilos musicais de salpicada extravagância. Mas, é uma extravagância que embeleza. Adornando a criação artística do videoclipe [diga-se de passagem, um videoclipe caprichado] está nos pormenores que enriquecem a mensagem e que transformam a obra de arte numa construção abstrata. Essencialmente, a maneira com a melodia é fabricada sobre o fluido da água [no caso, o mar], que é constante e que se renova. Talvez seja este o mito da tradição que Djam Neguin traz na sua nova expiração irreverente.

 

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