Manual de sobrevivência nas relações

Na expectativa de que a tua entrada em 2022 tenha sido em grande, eis-me de volta ao teu convívio com este manual de sobrevivência nas relações, cuja gestão demanda sensibilidade, bom senso e (muito) jogo de cintura. Assim, versa esta crónica servir-te de guia no trato social, em geral, e nos relacionamentos interpessoais, em particular.
Manual de sobrevivência nas relações

Eis alguns conselhos sobre como gerir relações, sejam elas sociais, profissionais, familiares, amorosas ou até sexuais:

Não dês demasiado de ti

À primeira leitura esta recomendação pode parecer antissocial, mas se formos analisar com cuidado veremos que não o é de todo. Quanto mais damos de nós, quantas mais informações pessoais fornecemos, mais poder de nos ferir os sentimentos conferimos aos outros. Uma vez na posse de dados que nós próprios facultamos (ainda que na maior das inocências), muito são aqueles que não demonstram quaisquer escrúpulos em usá-los a nosso desfavor.

Nas costas dos outros vê as tuas

Faz a ti próprio o favor de nas costas dos outros ver as tuas. Se conheces quem fale mal dos outros pelas costas e na frente dos mesmos é só sorrisos e mimos acautela-te que um dia será a tua vez de estar nessa posição. Pessoas assim são mais falsas que notas de dois euros, pelo que não são amigas de ninguém, por mais que tentem convencer-te do contrário.

O que os outros pensam de ti é problema deles

Todos nós temos opinião formada sobre pessoas e coisas, embora nem todos o admitam – por uma questão de pudor ou hipocrisia. Essa opinião tanto pode ir de encontro à realidade como pode induzir em erros de perceção gravíssimos, dos quais poderemos nos lamentar pelo resto da vida. Com isso quero deixar claro que só te deves ralar com a opinião dos outros em relação à tua pessoa e/ou conduta se nela te reveres. Caso contrário, aciona o travão de mão, mete o pisca e encosta-os a um canto da tua vida, já que desse tipo de gentinha o melhor mesmo é manter distância.

Vemos nos outros o reflexo de nós mesmos

Perante os que passam a vida a vomitar na cara dos outros tiradas do tipo: “És isto ou és aquilo”, tem em consideração o conceito de espelho invertido, em que a pessoa vê nos outros o seu próprio reflexo. Portanto, de agora em diante sempre que alguém te disser que és isto, aquilo ou aqueloutro, fica a saber que quem é tudo isso não és tu, mas sim a pessoa que te acusa. Afinal, quem melhor que um criminoso para saber reconhecer outro?

Prima por uma relação cordial, porém distante q.b.

Darmo-nos bem uns com os outros é recomendável – imperativo até – na interação social. Além de constar do manual da boa educação, é uma postura que nos facilita muito a vida e nos permite coabitar pacificamente com os nossos semelhantes. Contudo, recomendo que mantenhas a distância mínima de segurança, sob pena de seres abalroada por quem não conhece ou não respeita as regras da (boa) conduta social.

Presta atenção à forma como tratam os outros

Um dos sinais mais flagrantes do temperamento e da índole de alguém revela-se quando está chateada/nervosa, em especial pela forma como se dirige aos outros, sobretudo aqueles que considera o elo mais fraco da dinâmica. Se conheces quem fale mal para os outros, grite, insulte e humilhe, não tenhas dúvida de que à primeira oportunidade tratar-te-á de igual modo.

Destemperamento combate-se com desprezo

Perante personalidades destemperadas, que fazem e acontecem só porque sim, a melhor estratégia consiste em evitar ao máximo o confronto verbal (ou físico, que também acontece). Por melhores que sejam os teus argumentos e as tuas intenções, este tipo de ser vai encontrar sempre forma de te fazer sentir miserável. Se não for pela experiência, vence-te pelo cansaço, acredita.

Desculpas não se pedem, evitam-se

Há gente que dispara a matar para só depois tratar dos feridos. Se conheces quem passa a vida a destratar os outros, seja na forma de falar, seja na forma de atuar, e depois age como se nada fosse ou pede desculpas com aquele arzinho de peru na véspera de Thanksgiving Day, fica a saber que essas almas dificilmente se arrependem das suas atitudes. Pois se assim fosse não aprontariam novamente, certo? Quando aprontam, têm por hábito adotar uma postura mansa e humilde pelo tempo suficiente até baixares a guarda e poderem desferir novo golpe. A não ser que tenhas vocação para saco de pancada, abre as pestanas e toma tom na vida.

Quem gosta de falar não está para ouvir os outros

Dita a experiência que quem muito fala muito adora ouvir o som da própria voz. Significa isso que não gostam de ouvir os outros, dificilmente permitindo que eles possam expor o seu ponto de vista, sobretudo se estes não vão de encontro aos seus. Bem podes tentar tentar tentar mas vais acabar subjugado pelo seu poder de absorvência e ‘mememismo’. O meu conselho é que perante este tipo de criatura fales o essencial (quando possível) e do seu bla bla blá retenhas apenas as informações que te forem relevantes. O resto é palha, e a não ser que sejas herbívoro não precisas dela para nada.

Guarda a tua sinceridade para quem a saiba apreciar

Para último guardei a questão da sinceridade, honestidade, transparência ou frontalidade, como lhe quiseres chamar. Não conheço quem não apregoe serem estas as qualidades que mais valorizam no ser humano. Comprova a prática que escassos são os que realmente a praticam sem intenções dúbias e menos ainda os que aceitam serem dela alvo. Há pessoas que só gostam da sinceridade quando esta lhes massageia o ego. Quando assim não é, caem-te em cima feitos devoradores da morte (referência às personagens da saga Harry Poter). Para te salvaguardares de dramas desagradáveis, escolhe com esmero aqueles com os quais te podes dar ao luxo de seres absolutamente transparente, sob pena de seres ostracizado ou banido do convívio social. Dizeres o que pensas e pensares o que dizes pode fazer de ti vilão, dando azo a que personas mal intencionadas possam assim vestir a pele de vítima.

Bom ano e até breve!

 

* Artigo originalmente publicado no blog Ainda Solteira, em janeiro de 2019.

 https://aindasolteira.blogs.sapo.pt/

Sara Sarowsky

Sara Sarowsky

"Radicada em Lisboa, é blogger, cronista, inspiring talker, cupido profissional, organizadora de eventos e tudo o mais que a desafiar. Por gostar de ser/estar feliz, a sua escrita é recheada de humor e positividade, com uma pitada de sarcasmo pelo meio".

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