Mulher e cultura cabo-verdiana de mãos dadas

Numa Lisboa fria no final de tarde de Março, caminhei pela Rua de São Bento até ao Centro Cultural Cabo Verde - CCCV, onde, no âmbito da comemoração do Dia da Mulher Cabo-verdiana, iria ser inaugurada a exposição do artista plástico santa-cruzense, Steve Espírito Santo, sobre a “mulher cabo-verdiana e seus ofícios”.

Ao entrar, logo no hall, sou recebida pelo rececionista, que indica o lugar onde está a decorrer a exposição. O frio que sentia lá fora, desapareceu. Estou em casa e cheia de calor, humano e ambiente. E o crioulo é a língua que se ouve falar.

A exposição decorre no segundo piso do edifício e o artista está a dar entrevista a algumas televisões portuguesas. Tudo está bem organizado, as esculturas bem posicionadas e as pessoas atentas. Mais atentos estavam os portugueses que tentavam entender o quê que cada escultura retratava. Mulher a lavar roupa num tanque, mulher com lenha à cabeça, com bebé às costas. Mulher a vender, mulher a varrer e mulher a “dar batuque”.

E para o batuque, de Cabo Verde chegou Nha Balila, “mulher da cultura”, conhecida por todos, dentro e fora do país. Veio especialmente para participar nas actividades comemorativas do Dia da Mulher Cabo-verdiana, a convite de uma associação, na sua primeira viagem para fora de Cabo Verde depois de muitos anos.

E quem lá estava para fazer uma surpresa a Nha Balila. Ninguém mais do que Dino D’Santiago, que vê nesta mulher invisual de 92 anos, uma avó. Um dos artistas maiores de Cabo Verde, que vive e canta a cultura cabo-verdiana como poucos. Sente orgulho das suas raízes. E claro, com o Dino D’Santiago e Nha Balina, não podia faltar um momento de “txabeta”.

“Freirianas Guerreiras” foram também uma surpresa agradável. Mulheres que fazem parte de um grupo de batuque e que apelidam as mulheres cabo-verdianas de “guerreiras”.
Encheram a sala de melodia e letras que contam histórias da labuta diária. Não podia ser melhor.

Fora de Cabo Verde também se vive a cultura. Também se fala o crioulo. Também se comemora o Dia da Mulher Cabo-Verdiana. Talvez, até de uma forma mais intensa, por se estar longe da “terra”.

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Dulceneia Ramos

Dulceneia Ramos

Mãe, filha, esposa e jornalista. Agora correspondente da INFORPRESS em Lisboa, a profissão de jornalista é exercida desde 2007. Em 2010 entrou para Agência Cabo-verdiana de Notícias – INFORPRESS, onde desempenou a função de Diretora de Informação de 2018 a 2021. Antes de abraçar a tempo inteiro a sua profissão de Jornalista, lecionou durante vários anos no ensino secundário a disciplina de Língua Portuguesa. Ama estar com o filho, de dormir.

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