Mulheres solteiras sem filhos são mais felizes e saudáveis

Nesta que será a primeira crónica da temporada Verão 2022, quero retomar um assunto por mim abordado vezes sem conta, não obstante haver sempre algum dado novo a ser acrescentado. O dado novo que hoje trago é fruto de um novo estudo - mais um – que estabelece uma correlação (direta) entre a solteirice e a felicidade, sobretudo quando conjugada no feminino.

Desde os primórdios do Ainda Solteira, blog do qual sou criadora e gestora, que não me canso de defender a causa que esteve na origem da sua concepção: a solteirice, mais concretamente, o estar confortável com uma situação que, na maioria dos casos, é alheia à nossa vontade. Foi isso que me motivou a criá-lo e é isso que ainda me motiva a alimentá-lo, não obstante todo o tipo de desafios com que me deparo na concretização dessa intenção. Sete anos depois, continuo firme no propósito de desencardir mentes e de levar uma palavra de esperança às mulheres, inicialmente, e aos homens, mais recentemente, que ainda acusam a pressão social para estar emparelhada(o), mesmo que isso comprometa a sua felicidade e o seu bem-estar emocional.

Defender tal causa, aquela que melhor conheço e que, por isso mesmo, dou a cara sem tabu nem pudor, implica defender pontos de vistas pessoais e transmissíveis, os tais “achismos” de que todo escritor padece, mas, igualmente, partilhar outros pontos de vistas congruentes com os meus. É neste contexto, que, com todo o gosto, replico ideias, teorias e estudos que sustentam aquilo que desde a primeira publicação defendo: a solteirice não é tão feia quanto a família, os amigos, os colegas e a sociedade fazem questão de pintar.

O celibato, como tudo nesta vida, reveste-se de um lado B(om) e convém que o exponhamos tanto ou mais do que expomos o seu lado M(au). E pelos vistos são cada vez mais as mentes desencardidas que se interessam por compreendê-lo e desmistificá-lo, não com o intuito de o apresentar como o estatuto amoroso de eleição, mas antes como uma condição que apresenta as suas vantagens, algumas delas (surpreendentemente) melhores que a dos outros estados civis.

Por exemplo, vários estudos conseguiram provar que as mulheres solteiras sem filhos são mais felizes e saudáveis do que as restantes. Mais ainda, o género feminino apresenta um maior grau de satisfação ao permanecer desemparelhado comparativamente ao género masculino. É esta a convicção do especialista em felicidade e professor de ciência comportamental na London School of Economics, Paul Dolan, que, baseando-se em várias pesquisas, garante que as mulheres solteiras sem filhos são as mais felizes.

Quanto a isso, o académico não poderia ser mais peremptório: “Vou fazer um enorme desserviço a essa ciência e apenas dizer: se é homem, provavelmente deveria casar-se; se é mulher, não se incomode”. E a explicação, de acordo com o professor, é bem simples: os homens beneficiam do casamento porque “acalmam”.

“[Eles] correm menos riscos, empenham-se mais no trabalho e ganham mais dinheiro, e vivem um pouco mais. Elas, por outro lado, têm que aturar isso e acabam por morrer mais cedo do que se nunca se tivessem casado. O subgrupo populacional mais saudável e feliz são as mulheres que nunca se casaram ou tiveram filhos”, concluiu o académico.

Esta é apenas mais uma voz a expressar aquilo que algumas de nós há muito sabemos. Espartilhadas por crenças, preconceitos e estereótipos, nem sempre temos a petulância e a coragem necessárias para sair por aí dizendo de boca cheia que somos mais felizes e saudáveis do que as colegas casadas, amancebadas, divorciadas ou viúvas. Eu como tenho, eis-me aqui a partilhar contigo mais este atestado de validez da solteirice, cada vez mais feliz e saudável.

Aquele abraço amigo e até um dia destes!

* *

Artigo originalmente publicado no blog Ainda Solteira, em 7 de junho de 2016.

Sara Sarowsky

Sara Sarowsky

"Radicada em Lisboa, é blogger, cronista, inspiring talker, cupido profissional, organizadora de eventos e tudo o mais que a desafiar. Por gostar de ser/estar feliz, a sua escrita é recheada de humor e positividade, com uma pitada de sarcasmo pelo meio".

OUtros artigos
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Deixe um comentário

Follow Us