O custo de não sentir o que é esperado sentir

Em quase todas as situações da vida, para não dizer todas, existe uma espécie de guião de como nos devemos sentir. Guião esse fixado pela sociedade e que a todos é imposto.

Ao longo dos anos e por inúmeras vezes dei por mim a não sentir o que achava que devia sentir em determinadas situações e de questionar o que de errado se passava comigo.

Não raras vezes temos dificuldades em seguir esse guião e somos inundados com um sentimento de estranheza, de inadequação e de alguma não pertença.

Regras de toda a espécie existem para permitir que a vida em sociedade seja possível e exista alguma ordem onde todos tenham espaço para crescerem e se realizarem em todas as dimensões (pessoal, social, profissional, emocional, familiar).

No entanto, regras de como nos devemos sentir nesta ou naquela situação não deveriam existir pois que o sentimento de cada um não é algo que possamos determinar por decreto. Cada ser humano é único e como tal distinto de todos os outros e não deve ser colocado numa caixa onde todos devem caber.

Dei comigo a pensar na quantidade de vidas que foram e estão sendo destruídas por a pessoa se sentir mal por sentir aquilo que sente. Por se sentir envergonhada e obrigada a esconder, a negar o que sente como forma de tornar mais facilitada a sua vida, uma vez que não tem forças para se fazer valer e assumir não encaixar naquilo que está determinado pela sociedade.

Penso em como deve ser solitário vivermos uma vida que não é a nossa não por escolha própria, mas sim por sermos incapazes de nos impormos à expetativa dos outros.

Penso naqueles que já não se encontram entre nós, pois decidiram abreviar o seu tempo na terra, por se sentirem tão esmagados pela exigência social e desesperançados com o futuro.

Penso nas pessoas que vivem uma vida pela metade e que poderiam ter uma vida plena se tiverem a força necessária para se assumirem e serem quem realmente são.

Penso nas noites mal dormidas, nos corações desassossegados, na angústia que é nos sentirmos desadequados, menos que os outros, que não estamos à altura do que de nós é esperado, pelo simples fato de sermos como somos.

A nossa individualidade é a nossa riqueza, é o contributo maior que temos a dar à sociedade a que pertencemos e devia ser enaltecida e não desperdiçada como vem sendo.

Cabe a cada um de nós a tarefa de entendermos os nossos sentimentos, entendermos a nós próprios, aceitar quem somos e fazer o que for necessário para que a nossa vida tenha plenitude e significado.

Não podemos esquecer que a vida é um sopro e não há nada pior do que termos estado neste planeta e não termos efetivamente vivido.

 

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Adénis Carvalho Silva

Adénis Carvalho Silva

"Filha, mãe, esposa, advogada. Amiga dos seus amigos. Leal, honesta e direta. Uma apaixonada por música, livros e pela escrita. Amante de uma boa conversa e de aprender coisas novas. Em permanente busca de novos desafios."

Outros artigos

Deixe um comentário

Follow Us