O dia que desaprendi a ser feliz  

Logo de manhã, depois de ler o versículo do dia e da meditação diária, aproveito o momento do café preto para abrir, enfim, o link, enviado pela minha irmã, dias antes. Uma reflexão sobre a felicidade.
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Photo by Lucxama Sylvain on Pexels.com

Uma frase do vídeo capta a minha atenção: “a felicidade não é a ausência de conflitos, mas a habilidade para lidar com eles.”
No contexto do vídeo, a felicidade é uma decisão.

Engraçado, este já foi meu mantra. “A felicidade é uma decisão!”

Não importa os desafios, os seus formatos ou as suas intensidades, que varia de super intenso a insuportável, A FELICIDADE É UMA DECISÃO!

Basta decidir! Basta mudar o olhar!

Neste momento, sentada num dos meus restaurantes preferidos, num momento de verdadeira e ingênua felicidade, em que contemplo a imensidão do mar, lembrei-me de uma pergunta genuína e carregada de confusão, que fiz à minha psicóloga:

“Doutora, como é possível eu estar em profunda depressão e, ao mesmo tempo, ser genuinamente feliz?”

Depois de uma longa hora de terapia, conseguimos atribuir a culpa à minha natureza bem disposta, à exaustiva rotina de autocuidado e à minha rede de apoio.

Agora, ao recordar o vídeo da minha irmã, perguntas invadem a minha mente inquieta.

E quando a natureza enfraquece, o coração desapega e a alma já não é pura e grata?

E quando faltam forças para seguir os 10 mil passos da rotina de autocuidado? – acordar, rezar, meditar, estudar, ler, fazer a cama, tomar banho, tomar água com limão, ir caminhar, voltar, tomar banho, arrumar a mochila do ginásio, conduzir, treinar, correr para o carro, conduzir, correr para a casa, tomar banho, cuidar da pele, escolher a melhor roupa, vestir, organizar a comida saudável… tudo isso antes das 7h30 da manhã.

E quando não temos mais fôlego e nem forças para correr e muito menos “posentu d’alma” para meditar?

E quando a rede começa a ter buracos e fugas?
E quando a vontade de puxar a rede é menor do que a gana de se isolar eternamente?

Confesso!
Apesar do sorriso lindo, da gargalhada intensa e da boa disposição contagiante, EU DESAPRENDI A SER FELIZ!” Aquela felicidade gratuita, aquela que eu sentia ao acordar.

Sim! Eu pertencia ao famigerado grupo dos irritantemente bem dispostos ao acordar, não importava a hora.

Admito! Eu gostaria de pagar eternamente o preço de ser insuportavelmente feliz de manhã.

Diz-me uma coisa, ainda tens a fórmula? Pode ser uma pequeeena amostra! Um koxitu que seja, passa-me um pouco!

Eu vou devolver o dobro! PROMETO!

Confia em mim! Empresta-me uma pequeníssima gota da porção da felicidade , eu vou devolver o dobro.

Eu posso reaprender a ser feliz sem motivos! Sim! Posso! Sei que posso!

A pergunta volta à minha alma: “Quando é que desaprendi a ser feliz”?

Será que foi no dia que duvidei das minhas capacidades profissionais?

Ou foi no dia que desacreditei nas minhas qualidades como pessoa?

Foi no dia que chorei sem motivos?

Ou foi no dia que não queria comer, tomar banho, beber água?

Ou será que foi no dia que “So nkria fika ketinhu na nha kantu, sem mexi, sem papia, sem fazi naaada?

Nka sabi!

Mas ser feliz deve ser sima anda di bicicleta! Si bu prendi, bu ka disprendi nunka mas!

Deve ter um caminho de volta! Qual é? Não sei!

Apenas caminhei. Estou a caminhar. Vou caminhar para sempre.

Es fla ma kaminhu bu ta fazi ta kaminha.

A decisão aprendemos a tomar, tomando. Felizes começamos a ser, sendo!

No meio todas as certezas, de tantas dúvidas e milhões de questionamentos, uma realidade assustou-me, só percebi que desaprendi a ser feliz quando reaprendi a ser feliz.

Prazer, Cathy Soares!
A dar passos tímidos rumo à felicidade

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Cathy Soares

Cathy Soares

"Em uma palavra, eu sou comunicação. Com palavras ditas e escritas e, principalmente, com as não ditas. O amor pela leitura foi herdado da mãe, que lia todos os rótulos, todas as folhas encontradas a caminho de casa e todas as revistas velhas das salas de espera. Da leitura à escrita, impreterivelmente em folhas avulsas e à mão, foi um passo. As competências de/em comunicação, uso para criar e gerir comunidades, seja de 2, 3 ou dezenas de milhares de pessoas".

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