O que Deus não pode fazer

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Photo by Josh Sorenson on Pexels.com

O que Deus não pode fazer

Geralmente ao decidir escrever sobre algum tema para as minhas crónicas começo por uma frase ou um diálogo que suscita em mim a vontade de o desenvolver. Da frase ou diálogo começo a organizar os meus pensamentos e vou escrevendo.
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O título na maioria das vezes vem depois do texto estar escrito ou a meio. Hoje foi diferente, comecei pelo título, quero hoje escrever sobre a única coisa que Deus não pode fazer. Sim Deus apesar de omnipotente, omnisciente e criador de tudo o que conhecemos tem uma limitação: não pode fazer a nossa parte.

E não o pode fazer pelo simples fato de que ao nos conceder o livre arbítrio terá de se manter fiel ao seu compromisso connosco. O fato de nós sistematicamente pedirmos a sua intervenção, a natureza de Deus impede-o de nos acudir da forma como pretendemos. Deus é fiel à sua natureza, Deus não se contradiz nem que o peçamos. O que nos obriga a sermos nós a fazer aquilo que nos compete. Deixemos para Deus as coisas que estão fora do nosso alcance.

Do que tenho estudado da Palavra e na minha modesta opinião o livre arbítrio é a maior prova de amor de Deus para nós. E é resultado da própria natureza de Deus. Deus é amor e o amor só se concretiza num ambiente de total liberdade e escolha. Nenhum sentimento é mais poderoso do que aquele que nos é dedicado quando não existe qualquer obrigatoriedade da outra parte. Sabermo-nos amados é o máximo que qualquer pessoa pode desejar, ou deveria ser.

Antes pensava que Deus poderia a qualquer momento alterar o estado das coisas, que não o faz porque não  quer. E por não querer mudar as coisas erradas que acontecem no mundo mostrava ser diferente daquilo que muitos diziam que Ele era (bondoso, amoroso, atencioso). Mas nada como estudar, entender algo e assim corrigir os enganos. 

Estritamente falando Deus pode fazer tudo o que quiser, a qualquer momento e sem sofrer qualquer consequência, uma vez que ele é o Criador de tudo. Contudo, como escrevi acima, Ele é fiel a si mesmo e como tal não pode contradizer a Sua própria natureza, para nos acudir e evitar as consequências das nossas ações.

Ao criar o universo e posteriormente o ser humano ele nos dotou de capacidade de decidirmos por nós. O livre arbítrio foi-nos concedido logo após a nossa criação, e juntamente com ele foi-nos dada a indicação do que não devíamos fazer. Desrespeitamos essa ordem permitindo que o pecado entrasse no mundo, causando assim a nossa separação Dele. Ao nos dotar da capacidade de escolhermos por nós mesmos, permitiu-nos que pudessemos escolher segui-Lo, cumprindo os seus mandamentos, ou de o negarmos, vivendo da forma como bem entendemos. E por mais que custe a um pai ver os seus filhos perdidos ele terá de os deixar viver a vida que escolheram, terá de os deixar sofrer as consequências dos seus atos.

Sempre que penso em Deus penso num pai amoroso, que ama o seu filho e que lhe ensina quais os princípios de uma vida correta e que só pode esperar que o seu filho decida fazer as escolhas corretas e levar uma vida de amor e praticando o bem. Que face às más escolhas do filho nada poder fazer e não ser recordar-lhe que é amado e que pode sempre regressar a casa. E para que tal aconteça somente é-lhe exigido que aja de forma correta, abraçando uma vida de virtudes, princípios e amor ao próximo.

O livre arbítrio além de ser a prova de amor de um pai ao seu filho é também a indicação clara ao filho de que o poder de determinar a sua vida está em suas mãos. Não somos simples marionetas no jogo da vida, em que cada um tem o seu destino determinado antes do seu nascimento. Pelo contrário, podemos e somos donos da nossa vida, uma vez que ela vai sendo determinada pela múltiplas escolhas que vamos fazendo a cada momento. Não somos e nem podemos ser vítimas de um Criador superior a nós.

Como senhores e donos do nosso destino devemos ser capazes de assumir a responsabilidade pelas coisas que fazemos, de assumir que não podemos culpar os outros pelas consequências dos nossos atos. A capacidade de decidirmos por nós deve permitir-nos alterar o estado das coisas e entender que a mudança é manifestada em atos concretos. Temos de ser nós a limpar o lixo que criamos, os outros podem auxiliar mas o trabalho é nosso.

Podemos sempre corrigir o passado e recomeçar, vezes e vezes sem conta. Não esmoreçamos perante a magnitude do trabalho a ser feito. O resultado compensará largamente o esforço despendido. 

Os que nos amam estarão dispostos a nos dar mais uma chance, e mesmo que não dêem no início, com a mudança da nossa atitude e conduta eles verão as mudanças e responderão a elas. E podemos sempre criar novos laços com novas pessoas. Não nos limitemos aos nossos erros do passado.

Não deixemos que a culpa de termos feito más escolhas crie em nós o medo de mudar e nos impeça de voltarmos para casa. Que nos impeça de voltar ao Seu convívio e a podermos desfrutar de um amor sem limites. Não fomos abandonados. Nós é que nos retiramos da presença Dele. 

Lembro-me da frase “o bom filho à casa torna” e não posso deixar de sorrir. Cabe ao filho decidir voltar para perto do pai. Os passos de regresso a casa terão de ser dados por nós, o pai sempre aguarda o regresso do seu filho com braços abertos e sorriso no rosto. 

Ao pai celeste peço força e sabedoria para que a cada passo que eu dê fique mais perto da sua morada.

Permitam-me agradecer ao meu amigo Manuel Tavares por tudo o que ele tem feito por mim. Obrigada.

Praia, 21 de junho de 2024. 

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Adénis Carvalho Silva

Adénis Carvalho Silva

"Filha, mãe, esposa, advogada. Amiga dos seus amigos. Leal, honesta e direta. Uma apaixonada por música, livros e pela escrita. Amante de uma boa conversa e de aprender coisas novas. Em permanente busca de novos desafios."

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