O valor de uma amizade

No último ano coloquei muito em causa as minhas amizades e as minhas relações de uma forma em geral. Afastei-me, incoscientemente, de algumas pessoas e de outras, foi uma decisão consciente. Por outro lado, reforcei amizades, algumas inesperadas, e, timidamente, vou criando outras com potencialidades.
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Photo by Dennis Magati on Pexels.com

Sou uma pessoa de poucos amigos, mas quando gosto de alguém esforço-me para ser amiga e quando me torno amiga …gosto de pensar que sou mesmo amiga.

Qual é o valor de uma amizade? Existem amizades verdadeiras nos dias de hoje? Será que é verdade aquele ditado que diz que só somos amigos de uma pessoa quando conseguimos tirar algum proveito dessa amizade?

Dei por mim a pensar que, da mesma forma que existem pessoas que têm a sorte de ter uma história de amor única e por toda a vida com a sua cara metade – até que a morte os separa, existem alguns priveligiados que também conseguem construir amizades únicas e verdadeiras, que só tem um intervalo quando uma das partes deixa de respirar.

Gostaria de chegar neste patamar, mas como em todas as relações da vida é preciso dois para que isso aconteça.

Quando falo de amizades verdadeiras, duas pessoas e uma cena aparecem na minha mente de forma tão clara que parece que estou a reviver o momento. Bela e dona Alcinda … a minha meta de amizade. Acho que depois de conhecer a amizade delas, não se pode aceitar menos do que isso. Uma amizade linda, leve e de apoio mútuo.

Voltamos à cena que vem na minha cabeça … desde que eu me conheço, lembro-me de todos os domingos esperar pela chegada da Bela na nossa casa e de ela e a minha mãe passarem a tarde toda a conversar e a fazer várias atividades banais de domingo e numa certa hora sentavam numa parte da casa com dois copinhos de vinho do Porto a conversar sobre vários assuntos.

Daquilo que eu sei, não invadiam a vida uma da outra e só iam até ao ponto que a outra permitia.

Mas a confiança e o amor estavam sempre presentes no cuidado que tinham uma com a outra e com as pessoas que amavam. Não digo que essa amizade acabou, mas sim está num intervalo desde o momento em que a Bela nos deixou. Não imagino a dor da dona Alcinda, mas faço uma pequena ideia do quanto ela deve ter saudades daquelas tardes e do cálice de vinho do Porto.

E o que dizer de alguém que numa manhã acorda e resolve que vai viajar para outro país para passar o Natal e o final do ano com uma amiga, só porque sente que ela não está bem e precisa de companhia.

Sim, ainda existem pessoas assim, que apesar de estar há pouco tempo num trabalho, sem dinheiro para viajar, com o namorado num país diferente e com a possibilidade de passar o primeiro Natal na sua casa nova com a sua mãe e outros familiares, abandona tudo para passar 17 dias com uma pessoa que não lhe dava garantias de umas férias divertidas. E detalhe, sem nenhuma contrapartida, nenhum senão ou ganho … simplesmente porque sim, por amor!

Por isso digo que sim, acredito na amizade!. Acredito na amizade sem interesse, acredito na amizade sem laços familiares (nem sempre encontramos amizades no nosso clã e olha que eu não posso reclamar porque as minhas melhores amigas têm o meu nome e o meu sangue).

Sim, vários “amigos” vão partir o teu coração, alguns vão te trair, outros vão te magoar, outros vão te abandonar nos momentos difíceis, outros simplesmente vão embora, mas os que são de verdade ficam ou chegam no momento certo … e se isso é ser ingênua quero continuar a ser,

Quero continuar a ser essa miúda de poucas amizades, mas com amigos que valem não só a pena mas a galinha toda.

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Iranita Andrade

Iranita Andrade

Profissional com competência em Comunicação, Marketing, Publicidade e Jornalismo. Mas a minha função principal é ser mãe … mãe de uma criança autista. Apaixonada por uma boa conversa e por aprender coisas novas.

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