Os abismos das Fontainhas – a aldeia que brota da montanha

Reprodução Facebook Camara de Ribeira Grande

Os abismos das Fontainhas – a aldeia que brota da montanha

Hoje vamos falar de uma pequena aldeia do concelho da Ribeira Grande, ilha de Santo Antão, que, de acordo com a edição espanhola da notável revista National Geographic, é a segunda, numa lista de 10 aldeias de vários países, com a melhor vista no mundo. Essa aldeia chama-se Fontainhas.
Reprodução Facebook Camara de Ribeira Grande

Fontainhas é em tudo singular, a começar, desde logo, pelo seu formato. Tal qual uma aldeia presépio, Fontainhas faz ninho numa montanha, no fim da estrada carroçável que parte da Vila da Ponta do Sol ou, se assim quiserem, Vila Maria Pia, no seu nome original. Essa estrada, assim se designa por nela transitar carros, na prática, é um caminho vicinal no qual se ajusta um veículo motorizado de quatro rodas. A cedência de passagem é um desafio que se vence nalguns pontos de maior largura, onde a viatura que desce se abeira do abismo superior, deixando livre a passagem ao veículo que sobe, e que passa rente à cortina de pedras que demarca a continuidade da imponente falésia sobre o mar.

Os abismos naturais que se formam nesta parte da costa noroeste de Santo Antão, desde a Ponta do Sol, passando pelas aldeias de Fontainhas, Corvo, Formiguinhas, Aranhas, até Cruzinhas, são de um fascínio impossível de se traduzir em palavras. Com a espuma das ondas no sopé, a montanha sobe a pico, até se encobrir nas nuvens, no planalto que se designa Menél d’Jei (vulgo Manuel de Joelhos). O sisal e outras plantas endémicas salpicam de verde o castanho dos montes e, noutras partes, a paisagem ganha um aspeto desértico, predominando o clima árido até Cruzinhas.

Assim que se vislumbra Fontainhas – um pequeno aglomerado de casas coloridas, o fascínio se eleva ao tamanho dos montes, de onde os olhos dos visitantes voltam a descer, vagarosamente, passando a pente fino todos os pequenos detalhes que formam a beleza única desta aldeia que parece ter saído de um conto de fadas. Piscam os olhos o imenso azul do mar e voltam a subir a encosta para mais contemplação. Oh, Fontainhas!

Vários reservatórios captam a água que brota das muitas nascentes existentes, guarnecidas pelo constante nevoeiro que se forma nos picos aguçados do Menél d’Jei. As levadas serpenteiam a encosta, levando o precioso líquido às parcelas agrícolas de cana sacarina, bananeira, tubérculos, fruta-pão e árvores de fruta diversas.

Na ribeira, plantações de inhame vão até quase lá onde as ondas do mar vêm quebrar-se, dando forma a um pequeno charco de águas salobras. Reza a lenda que, há muito tempo, uns estrangeiros ficaram fascinados com uma poça onde nadavam algumas tainhas. Um voltou-se para o outro e disse: é uma fonte de tainhas! E, assim, terá surgido o nome da zona. Fontainhas.

Entre a fantasia e a realidade, é certo que Fontaínhas é uma aldeia presépio capaz de fascinar qualquer um que a visite. E não é que fascinou até os editores espanhóis da célebre revista National Geographic, que lhe atribuíram o título da segunda melhor vista do mundo, numa lista de 10 aldeias históricas de vários países. E nós?

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Socram d'Arievilo

Socram d'Arievilo

É natural da ilha das montanhas, lugar que preenche o seu imaginário e que serve de cenário para as suas criações. Na literatura, a sua preferência recai sobre a poesia, mas também interessam-lhe os géneros contos tradicionais e ficção científica.

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