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O primeiro passo é constituir um fundo de emergência. Face à incerteza económica provocada pelos constrangimentos da pandemia, e agora pelo impacto na economia nacional da invasão da Rússia na Ucrânia, ter uma rede de segurança financeira pode ser um fator decisivo para muitas famílias, seja para fazer face a um problema de saúde, seja para lidar com uma situação de corte de rendimentos ou mesmo de desemprego. Daí a necessidade de se ter um fundo de emergência à mão, caso seja necessário.
Assim, para a constituição de um Fundo de emergência é necessário analisar a situação financeira individual, e identificar o valor mensal das receitas e das despesas.
Sabendo o valor mensal das despesas, o aconselhável é que o fundo de emergência seja, pelo menos, seis vezes esse valor. Ou seja, se as despesas totalizarem 15.000 CVE por mês, idealmente a pessoa deverá possuir uma reserva de 90.000 CVE.
No contexto atual de incerteza económica e financeira, e apesar das boas práticas recomendarem os seis meses de despesas mensais, será prudente a fixação de uma margem de tempo para, pelo menos, um ano de despesas. Ou seja, tomando o caso anterior como exemplo, a pessoa deveria possuir uma reserva de 180.000 CVE.
Identificado o montante, o próximo passo é definir o prazo para o alcance da totalidade do fundo de emergência. Este, deve ser determinado tendo em consideração a taxa de esforço mensal, ou seja, o valor mensal disponível para poupança.
O passo seguinte será identificar a melhor forma de gerir o fundo e fazê-lo rentabilizar. O primeiro conselho para a aplicação do fundo de emergência é o de prudência.
Desde logo, deve-se evitar as aplicações com retorno elevado (pressupõe maior risco) e com horizontes temporais alargados (médio/longo prazo). É preciso ter-se sempre presente o objetivo principal do Fundo de Emergência – disponibilidade imediata ou quase imediata do dinheiro – neste sentido, deve-se optar por soluções que permitam reaver o dinheiro a qualquer momento, como por exemplo depósitos a prazo e contas poupança.
Chegado a esta fase, é natural que surjam outras questões, como por exemplo: “Depois de assegurado o fundo de emergência, o que fazer?”
Bem, o próximo passo é continuar a jornada da poupança com horizontes temporais mais alargados, e para isso, é crucial conhecer os diferentes métodos de poupança e, acima de tudo, escolher o que melhor se adeque a cada perfil.
Nota da redação: Esta reflexão será continuada pela autora num próximo artigo.

Analista certificada pela European Federation of Financial Analysts Societies, com uma experiência acumulada de 10 anos no setor bancário distribuídos entre Cabo Verde, Portugal e Angola.







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