Pense a longo prazo, aja a curto prazo – Fundo de emergência: o que é, e como alcançá-lo?

No artigo “Pense-a-longo-prazo-aja-no-curto-prazo” publicado no dia 07 de Julho de 2022 (ver em baixo) demonstrei quão importante e urgente é a introdução da poupança no nosso dia-a-dia, mas ficou a faltar a resposta à grande questão: por onde começar?

O primeiro passo é constituir um fundo de emergência. Face à incerteza económica provocada pelos constrangimentos da pandemia, e agora pelo impacto na economia nacional da invasão da Rússia na Ucrânia, ter uma rede de segurança financeira pode ser um fator decisivo para muitas famílias, seja para fazer face a um problema de saúde, seja para lidar com uma situação de corte de rendimentos ou mesmo de desemprego. Daí a necessidade de se ter um fundo de emergência à mão, caso seja necessário.

Assim, para a constituição de um Fundo de emergência é necessário analisar a situação financeira individual, e identificar o valor mensal das receitas e das despesas.
Sabendo o valor mensal das despesas, o aconselhável é que o fundo de emergência seja, pelo menos, seis vezes esse valor. Ou seja, se as despesas totalizarem 15.000 CVE por mês, idealmente a pessoa deverá possuir uma reserva de 90.000 CVE.

No contexto atual de incerteza económica e financeira, e apesar das boas práticas recomendarem os seis meses de despesas mensais, será prudente a fixação de uma margem de tempo para, pelo menos, um ano de despesas. Ou seja, tomando o caso anterior como exemplo, a pessoa deveria possuir uma reserva de 180.000 CVE.

Identificado o montante, o próximo passo é definir o prazo para o alcance da totalidade do fundo de emergência. Este, deve ser determinado tendo em consideração a taxa de esforço mensal, ou seja, o valor mensal disponível para poupança.

O passo seguinte será identificar a melhor forma de gerir o fundo e fazê-lo rentabilizar. O primeiro conselho para a aplicação do fundo de emergência é o de prudência.
Desde logo, deve-se evitar as aplicações com retorno elevado (pressupõe maior risco) e com horizontes temporais alargados (médio/longo prazo). É preciso ter-se sempre presente o objetivo principal do Fundo de Emergência – disponibilidade imediata ou quase imediata do dinheiro – neste sentido, deve-se optar por soluções que permitam reaver o dinheiro a qualquer momento, como por exemplo depósitos a prazo e contas poupança.

Chegado a esta fase, é natural que surjam outras questões, como por exemplo: “Depois de assegurado o fundo de emergência, o que fazer?”

Bem, o próximo passo é continuar a jornada da poupança com horizontes temporais mais alargados, e para isso, é crucial conhecer os diferentes métodos de poupança e, acima de tudo, escolher o que melhor se adeque a cada perfil.

Pense a longo prazo, aja a curto prazo pois “grandes fortunas começaram com pouco”

Nota da redação: Esta reflexão será continuada pela autora num próximo artigo.

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Cláudia Sanchez

Cláudia Sanchez

Analista certificada pela European Federation of Financial Analysts Societies, com uma experiência acumulada de 10 anos no setor bancário distribuídos entre Cabo Verde, Portugal e Angola.

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