Pense a longo prazo, aja a curto prazo pois “grandes fortunas começaram com pouco”

Nos dias de hoje, devido à maior diversidade e complexidade dos produtos financeiros disponibilizados no mercado, associado a um progressivo aumento da procura por este tipo de produtos e serviços, tem-se assistido, igualmente, nos últimos anos, e, de forma, generalizada, uma preocupação crescente com o nível de compreensão, por parte dos clientes, das informações prestadas pelas instituições financeiras.

As escolhas dos consumidores têm-se tornado, assim, cada vez mais exigentes e ponderadas sobretudo desde a pandemia do COVID 19 e da atual crise internacional.

Segundo o “I Estudo sobre Literacia Financeira” promovido pelo Banco de Cabo Verde, em parceria com a Cooperação Luxemburguesa, o nível de inclusão financeira (grau de utilização do sistema bancário pela população), determinado pela percentagem dos cidadãos com acesso a uma conta bancária, é relativamente inferior a alguns países desenvolvidos: (1) Cerca de 43% dos inquiridos na faixa etária entre os 20 e os 65 anos, afirmaram não serem detentores de uma conta bancária, sendo que, 36%, nunca tiveram conta bancária; (2) destes últimos, cerca de 50% são jovens com idade compreendida entre os 20 e os 34 anos e, pouco mais de 10% pertencem à população em idade pré-reforma, isto é, com mais de 55 e menos de 65 anos.

é urgente desenvolver hábitos de poupança e planeamento a longo prazo, em detrimento da cultura consumista e focada no “agora”

Outro tema bastante atual, e ainda muito incipiente na nossa sociedade, tem que ver com o hábito de poupança, conforme evidenciado no “I Estudo sobre a literacia financeira”. Segundo o mesmo estudo, a baixa taxa de poupança da população Cabo Verdiana, cerca de 53% dos inquiridos, reflete que, os benefícios e a importância da poupança na afetação apropriada dos recursos individuais ao longo da vida, na solidez do próprio sistema financeiro e, no crescimento económico sustentado não são, ainda, reconhecidos.

Neste contexto, é urgente desenvolver hábitos de poupança e planeamento a longo prazo, em detrimento da cultura consumista e focada no “agora”, de modo a melhor enfrentar períodos de crise económico-financeiro como a que vivemos atualmente.

Para promover esta mudança, será necessário empreender um conjunto alargado de reformas, começando pela introdução da literacia financeira no plano curricular de ensino em Cabo Verde, mas também apelando a uma maior participação das instituições financeiras do país no âmbito das finanças sustentáveis. Sem descurar, a responsabilidade individual de cada cidadão no desenvolvimento de conhecimentos sobre o mercado e finanças. Afinal, “Grandes fortunas começaram com pouco” Sohsten (2005).

Nota da redação: Esta reflexão será continuada pela autora num próximo artigo.

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Cláudia Sanchez

Cláudia Sanchez

Analista certificada pela European Federation of Financial Analysts Societies, com uma experiência acumulada de 10 anos no setor bancário distribuídos entre Cabo Verde, Portugal e Angola.

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