Permitir que o outro viva sem nós é sinal de respeito mútuo

Permitir que o outro viva sem nós é sinal de respeito mútuo

Uma crónica de Vandrea Monteiro.

Os meus filhos sempre lutaram contra o sono. Até que são vencidos pela exaustão. Irritação, choro, olhos vermelhos … o desconhecido faz sofrer todo o corpo… todas as idades. Mesmo nas coisas mais simples.

Nesta linha de perceber o desenvolvimento humano nos seres que eu trouxe à luz, que vieram nascer em mim o conhecimento da vida, percebi: que os meus maiores fantasmas sempre viveram dentro de mim; que o meu maior fantasma é a minha sensibilidade. O meu emocional. Esta vontade de estar bem com todos. Fazer parte da vida de todos…

Deixar de fazer parte da vida de alguém que se desligou de nós, que vive bem sem nós, que se irrita connosco, que se socializa connosco por obrigação é Respeitar o outro… E respeito é obrigatório.

Esta desconstrução é extremamente dolorosa. Magoa. O crescimento jamais foi físico. É todo ele emocional.

Muito mais do que nos respeitarmos; permitir que o outro seja livre nas suas escolhas de vida; que o outro seja feliz na distância, mesmo que do nosso lado exista a vontade de fazer parte, de querer estar; de viver a alegria do passado… Isto é Maturidade.

Tenho lutado contra tanta coisa. Mas os meus maiores fantasmas vivem dentro de mim…

Sempre fui tagarela, de presença forte, mas tenho exigido de mim o silêncio. Que batalha!!! Eu nasci para falar ao mundo. Mas o mundo é bem mais pequeno do que sempre imaginei.

O meu mundo é o pedaço que me rodeia. Que me puxa a cadeira e diz “senta, Jacky”.
Existem lugares onde somos mais valiosos em silêncio.

Existem lugares onde não somos bem-vindos; onde desejam em conversas mais íntimas a nossa ausência, a nossa desconstrução. O amor deve ser ele leve. Não nos amarem não é o fim do mundo. Faz parte da vida. Faz parte do nosso crescimento.

Somos humanos em crescimento.

Ainda ontem deixei de ser criança. E crescer dói.

Crescer dói, sim. E respeitar a nossa dor sempre foi o passo certeiro para o crescimento.

Sejamos a nossa maior construção. Se no final correr mal e estivermos vivos? Bem, Deus ainda acredita em mais uma chance, quem somos nós para acreditar o contrário?

Este texto foi originalmente publicado pela autora a 20 de junho de 2022 nas redes sociais.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Vandrea Monteiro

Vandrea Monteiro

"Sou a Jacky lá de casa e a primeira barriga da minha mãe.
Quase nada frequentei o pré-escolar, mas as letras misturaram-se aos desenhos ainda cedo para mim. Rabisquei poemas de amor, toda minha infância e agora mulher, escrevo as vidas que me chegam, atuo sobre as escritas dos outros e até canto (desafinada, claro). As palavras fascinam-me tanto. Nas suas mais variadas formas. E não é que elas têm vida? Permita-se."

Outros artigos