Política, Cidadania e Juventude no Poder Local em Cabo Verde

Política, Cidadania e Juventude no Poder Local em Cabo Verde

A reflexão que trago aqui hoje é baseada em observações feitas por mim, na qualidade de Deputada Municipal, jovem e também Cientista Social e Política.

A Cidadania expressa um conjunto de direitos e deveres que dá a uma pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo do seu povo. Por isso é cada vez mais urgente que os Cidadãos, particularmente os Jovens (As Nações Unidas definem “juventude” como a faixa etária que abrange pessoas entre os 15 e os 24 anos de idade), se consciencializem da importância da sua participação na política local e nacional, pois para que haja realmente uma mudança de paradigmas é essencial perceber que participar não é apenas um direito, é também um dever de cada um de nós.

O poder Local tem uma importância preponderante na democracia e na promoção da cidadania ativa junto da população e tem a sua principal força na proximidade às populações, afirmando-se como sendo a primeira voz do povo. Por ser o poder que está mais próximo da população, está mais apto a identificar, conhecer e resolver os seus problemas, por isso é imprescindível que todos colaborem de forma ativa, exercendo sua cidadania e participando na construção de políticas públicas.

… para que haja realmente uma mudança de paradigmas é essencial perceber que participar não é apenas um direito, é também um dever de cada um de nós.

A expressão da vontade da juventude em participar na tomada de decisões em Cabo Verde tem-se assumido como força importante do processo de promoção de uma verdadeira igualdade de participação política. Se os Jovens outrora expressavam sua vontade em contribuir para o desenvolvimento das suas comunidades e do País, maioritariamente através da sua participação em ações de associativismo e voluntariado, hoje almejam e com todo o direito, também contribuir através da sua participação político-partidária nos desígnios do desenvolvimento local e nacional.

Trago este tema para analise porque acredito que os órgãos do poder local servem como espaços de efetivação do exercício da cidadania e de participação, onde a juventude tem a oportunidade de ter Vez e Voz, de deliberar sobre questões que lhe diz respeito e afeta diretamente, manifestar os desafios que enfrenta diariamente e propor soluções, desenhar projetos que contribuem para o desenvolvimento da sua comunidade e da sua camada em particular.

Se olharmos para a taxa de abstenção, mas últimas eleições autárquicas em cabo verde que chegou aos 41%, observamos claramente um certo descrédito da população relativamente as lideranças e as plataformas políticas, e uma falta de comprometimento político e social da população e em particular dos jovens em relação ao Poder Local.

Acredito que é necessário questionar a responsabilização de todos os atores envolventes nesta matéria, e não apenas do Estado, como tem sido usualmente feito. É necessário avaliar o porquê desta não participação; o que está causando esta desmotivação generalizada; até que ponto que as plataformas políticas são ou não bem explicadas ao cidadão; o porquê da mobilização funcionar nas campanhas eleitorais e não em direção as Urnas, etc etc.

Este é um diálogo que a meu ver, deve ter presente todas as estruturas políticas e sociais, nomeadamente a Sociedade Civil organizada, as Jotas partidárias, os órgãos de poder local e central; os partidos políticos e a academia afim de entender esta problemática e adotar medidas assertivas para a sua solução.

Eu pessoalmente, acredito que a solução para este problema passa essencialmente por fazer com que a população, e em particular, a Juventude se consciencialize da importância da sua participação nas decisões político-partidárias dos País. Para tal é necessário investir na formação/ educação política do cidadão, capacitando-lhe com ferramentas que lhe permite conhecer o seu sistema político; analisar propostas e plataformas políticas; formular ideias, opiniões sobre ideologias partidárias e tomar decisões; e acima de tudo pensar por si próprio e não estar alienado.

Por outro lado, temos uma franja da juventude que cada vez mais, tem demonstrado sua vontade em participar de forma ativa na política do seu município, dando corpo ás listas para as eleições autárquicas, procurando não apenas fazer parte como também tomar parte na tomada de decisões. Esta franja da juventude tem tido um papel importante na materialização de projetos que beneficiam a sua camada, e tem demonstrado a sua competência através da sua voz.

Esta participação da juventude na política partidária infelizmente não está isenta de desafios constantes, como é o caso da rotulação Social, das perseguições políticas, da desvalorização das competências técnicas e pessoais na assunção de cargos de liderança, da concorrência em detrimento da colaboração, etc. Neste ponto gostaria de evidenciar uma questão que me tem preocupado muito que é o fato de algumas lideranças partidárias, muitas vezes convidarem jovens para fazerem parte das listas simplesmente porque se sentem obrigados a mostrar que dão oportunidades aos jovens, e não porque acreditam no seu potencial e competência, atribuindo-os lugares não elegíveis, criando assim uma pluralidade de “Listas fantasmas”.

Mesmo com todos os desafios enfrentados, os jovens têm posto em prática sua Cidadania, têm participado ativamente, talvez não na proporção que gostaríamos, e têm contribuído sim, para a consolidação da nossa democracia, e isto deve ser considerado motivo de alento e encorajamento de outros jovens.

Somos todos Cidadãos políticos, portanto participar não é apenas um direito como também um dever de cada um de nós.

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Vandira Brito

Vandira Brito

Considera ser uma jovem dinâmica, engajada e bastante proativa. Licenciada em Ciências Sociais e Políticas pela Uni-CV, é formadora Profissional pelo IEFP do Mindelo e técnica especializada em Gestão Hoteleira e Alojamento pela EHT de Coimbra. Possui formações complementares em Género, intervenção social, educação e gestão financeira, e desenvolvimento, implementação e avaliação de projetos sociais entre outras. Também está envolvida em projetos sociais na área do associativismo juvenil, cidadania e voluntariado.

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