Salve, Salve, Salve! Salve os Oceanos!

Os oceanos são os recursos mais proeminentes do planeta, cobrindo quase três quartos da Terra, e são essenciais para a sobrevivência planetária.
Salve, Salve, Salve! Salve os Oceanos!

Assim como uma pessoa não pode viver sem um coração e pulmões saudáveis, a Terra não pode sobreviver sem oceanos e mares saudáveis. Eles servem como o sistema respiratório da Terra, produzindo oxigénio para a vida e absorvendo e armazenando o dióxido de carbono e resíduos, enquanto o fitoplâncton marinho gera o oxigénio necessário para a sobrevivência.

Os oceanos fornecem-nos a todos oxigénio, alimentos, recursos energéticos e meios de subsistência com um número inimaginável de biodiversidade. Além de ser uma fonte de vida, os oceanos estabilizam o clima e armazenam carbono, atuando como um gigantesco deposito de gases com efeito de estufa. 

Assim como uma pessoa não pode viver sem um coração e pulmões saudáveis, a Terra não pode sobreviver sem oceanos e mares saudáveis

Abrigam até 80% de toda a vida no planeta e em Cabo Verde ela ocupa 90,3% da nossa superfície, o que nos faz relacionar diretamente com ele nos distintos sectores económicos, sociais e ambientais.

Essa relação pode ser traduzida em usos que nós damos hoje e como lidamos com as políticas públicas e mecanismos de gestão global e nacionais para melhor dar respostas e soluções de forma a ter um uso equilibrado e sustentado dos oceanos.

A Economia Azul, é um termo que muito ouvimos falar hoje, mas que certamente poucos conseguem definir, pois a sua abrangência é tão ampla, e descodificar a sua definição leva a temas diversos desde a pesca, biodiversidade, recursos submarinos, pesquisa e investigação científica, conservação, transporte marítimo, dessalinização, poluição, proteção costeira, turismo costeiro e marinho, produção de energia eólica, maré e ondas offshore.

Para o Banco Mundial, a economia azul é: “O uso sustentável dos recursos do oceano para promover crescimento económico e melhorar os meios de subsistência e de trabalho preservando a saúde do ecossistema marinho.”

Na semana passada (de 27 junho a 1 de julho) decorreu na cidade tão conhecida por nós, a cidade de Lisboa em Portugal a segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, onde os líderes Mundiais e defensores dos oceanos estiveram reunidos para discutir e impulsionar soluções para proteger o planeta e iniciar um novo capítulo da ação global dos oceanos que é um dos nossos maiores aliados contra as mudanças climáticas.

De acordo com as recomendações da conferencia, podemos conferir Cabo verde, enquanto pequeno estado Insular em desenvolvimento (SIDS), um estado com mais cobertura de mar do que terra, o que faz com que algumas iniciativas a nível do oceano devem ser reforçadas e criadas para uma melhor relação e compromisso com ele, passando pela pesca sustentável, poluição da terra para o mar, investigação cientifica, energias renováveis, conservação de habitats e espécies, lazer na zona costeira, conectividade, transporte intercontinental, valorização e exploração sustentável a nível económico.

A saúde dos ecossistemas marinhos, a proteção e recuperação da sua integridade ecológica, tem sido e deverá ser assumida como prioridade nacional, através do alargamento da rede das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) e sua boa gestão.

E o porque não apostar fortemente em recifes artificiais para restaurar e manter os estoques de peixes a níveis que produzam o rendimento máximo sustentável no menor tempo possível, diminuindo perdas nas capturas e devoluções desnecessárias de peixes, além de combater a pesca ilegal e irregular.

A aquacultura como uma solução sustentável, já é uma realidade no país, e quem diria que em Cabo Verde, poderíamos comprar 1kg de camarão “nacional” só por 1.000$00 (mil escudos). Pois isto já é uma realidade e graças a essa tecnológica. Devemos apostar muito mais nesta indústria a todos os níveis e garantir maior diversificação de produção de pescado, moluscos, crustáceos e plantas aquáticas em prol de uma alimentação nutritiva e de sistemas alimentares resilientes.

O conceito de que o mar é o deposito final dos resíduos, tem que ser revertido, pois lugar do lixo não é no mar, assim todos os tipos de poluição marinha, de fontes terrestres e marinho devem ser prevenidos, reduzidos e controlados.

Acho muito interessante, nas datas em que se celebra as efemérides relativas aos oceanos, mar e pescas, sempre temos a preocupação de limpar as praias através de varias iniciativas da sociedade civil e instituições estatais, em vez de trabalharmos na prevenção ao longo do ano para não as sujar e polui-las, ou seja, ainda a nossa abordagem em relação ao mar é REACTIVA, “Sujar para depois Limpar”.

O conceito de que o mar é o deposito final dos resíduos, tem que ser revertido, pois lugar do lixo não é no mar

O que eu posso fazer para ajudar?

Perguntámos o que pode fazer o cidadão, ao seu nível, para impulsionar a tão desejada economia azul sustentável, enquanto anseiam que os decisores e líderes mundiais e nacionais entrem com ações concretas. Aqui estão algumas ideias que podem ser incorporadas na nossa vida quotidiana que certamente poderão ajudar e de que forma: 

  • Evite a poluição plástica: com 80% da poluição marinha é originada em terra, faça a sua parte para impedir que a poluição chegue ao mar. Pode ajudar, utilizando produtos reutilizáveis, e também se certificando de que está a colocar os seus resíduos nos depósitos apropriados (contentores); 
  • Diversifique a sua dieta em termos de consumo de pescado, evitando consumir predadores de topo e certificando que o que consome, provém de fontes responsáveis;
  • Vá a praia para se divertir e não deixe lixo na areia;
  • Você deve ter por princípio o não consumo de espécies em riscos e protegidos por lei, não deixe de denunciar aqueles que consomem a carne da tartaruga, pois são essas pessoas que alimentam a má pratica de captura dessa espécie emblemática de Cabo Verde;
  • Vamos educar e empoderar os nossos filhos, as crianças e os jovens com o conhecimento necessário e habilidades que os permitam entender a importância e a necessidade de contribuir para a saúde dos oceanos, por meio da educação de qualidade em prol de avanço de uma economia sustentável baseada nos oceanos.

 

Prezad@s, os problemas já estão identificados e nós somos partes responsáveis por eles e precisamos fornecer soluções agora mais do que nunca, e não apenas lamentar que os oceanos não estão a ser valorizados e que atualmente enfrentam o que poderemos chamar de “Emergência Oceânica”.

Precisamos mudar a nossa relação direta com os oceanos, para poder mudar o rumo das coisas, com políticas públicas bem definidas, ações concretas a ser implementadas pela sociedade civil, e no aspeto individual que cada um de nós possamos ter e assumir as nossas responsabilidades e ações drásticas aonde la for possível e necessário, para mudar o quadro atual a nível nacional para o impacto global.

Cuidemos e valorizemos aquilo que certamente é uma das nossas maiores riquezas naturais, nosso mar, nosso Oceano.

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Nuno Ribeiro

Nuno Ribeiro

Gestor Ambiental/Islands Consulting

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