Santo Antão – A ilha Grande

Faz hoje precisamente 560 anos que Diogo Afonso, navegador ao serviço da Coroa Portuguesa, avistou e “descobriu” a ilha mais setentrional e ocidental de Cabo Verde que, em honra ao santo do dia da descoberta (17 de janeiro de 1462), foi batizada de Santo Antão.

Santo Antão foi um cristão dedicado que, segundo os relatos bíblicos, teria nascido em Tebaida (Alto Egipto) no ano de 251 d.C. e que na casa dos vinte e poucos anos desfez-se de todos os bens materiais de que dispunha, distribuindo-os aos pobres, para se dedicar à vida solitária no deserto e apenas seguindo os princípios do Evangelho, daí ser também designado de Santo Antão do Deserto ou o Grande.

“Grande” também é a nossa ilha!

“Grande” também são as nossas montanhas!

“Grande” também é a nossa gente que sempre soube fintar as amarguras que natureza e o tempo lhe impuseram!

E tal como este “Grande” Santo, que optou por seguir uma vida de eremita, distribuindo todos os seus bens materiais aos pobres, o povo de Santo Antão, embora humilde, aprendeu a viver com o pouco que tem, sem nunca deixar de partilhá-lo com os seus vizinhos e forasteiros.

Assim, tempos houve na ilha em que o bom/melhor era reservado para as visitas, com alguns inclusive a abdicar do conforto da própria cama, tudo para que o forasteiro pudesse se sentir bem acolhido durante a sua estadia. Genuína morabeza santantonense!

O teu destino, Santo Antão, é ser “Grande” E a base da tua grandeza tem que ser sólida que nem as tuas imponentes montanhas. Portanto, uma grandeza assente na humildade!

Muitos parabéns Santo Antão, por estes longos 560 anos de história, e que venham muitos e muitos mais anos. Que o teu povo continue a valorizar os princípios deste santo que te dignificou com o seu nome.

Mais união e resiliência rogamos ao teu santo padroeiro, para continuarmos a fazer de ti uma Ilha “Grande”. Cada vez mais “Grande”!

A Ilha

rasguei o meu peito


e plantei uma ervilha


dei-lhe amor-perfeito


é dela nasceu uma ilha


seu nome é Santo Antão


a ilha que é meu coração


nas minhas artérias


pulsam suas ribeiras


carregadinhas de cheias


tal mangueiras no verão


descendo da Cova ao Paul


por estreitas curvas sinuosas


ansiosas por colorir o mar


ah, aquele vale luxuriante!


pingos de saudades!


qual Nilo?


qual Amazonas?


qual Colorado?


nenhum!


quimera!


neste peito só cabe a ilha!

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Socram d'Arievilo

Socram d'Arievilo

É natural da ilha das montanhas, lugar que preenche o seu imaginário e que serve de cenário para as suas criações. Na literatura, a sua preferência recai sobre a poesia, mas também interessam-lhe os géneros contos tradicionais e ficção científica.

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