Todas as situações são provisórias

Iniciei o ano com alguma dificuldade em identificar o tema da cronica deste mês, o primeiro do novinho 2023, e sem querer deparo-me com a frase “Todas as situações são provisórias”. A qual recebeu a distinção de frase deste dia 11 de janeiro e a qual foi partilhada com algumas amigas, tendo recebido o selo de “verdade” por unanimidade dos votos.

Em regra, as verdades da vida são simples e o ser humano (para nossa desgraça) tem muita dificuldade em dar crédito às coisas simples. E como tal surpreende-se quando é confrontado com os “segredos” simples da vida. Que fique claro que me incluo no leque daqueles que são vezes sem conta surpreendidos pelas verdades simples.

Creio que tal traço seja uma espécie de fatalidade à qual não nos conseguimos escapar e que temos de ser constantemente lembrados de que a vida é simples. Nós é que complicamos as coisas, como se o intelecto humano lidasse melhor com as coisas mais complexas do que com as simples.

A frase que dá nome a esta crónica transmite-me um nível de conforto extremo que a única forma de explicar seja dizer que me tira um peso grande dos ombros. Tudo é provisório na vida. Até a própria vida o é.

Há sensivelmente 3 anos e meio eu e a minha família sofremos uma das maiores perdas que o ser humano pode experienciar e lembro-me que na altura uma das minhas boias de salvação foi um pensamento recorrente: não preciso deixar a dor que sinto me sufoque, paralise e impeça de viver, pois a dor será minha fiel companheira enquanto viver. Pelo que uma convivência tranquila com a dor seja a decisão mais sábia. Repetia esse pensamento vezes sem conta quando a dor se tornava insuportável. E assim foi. Sobrevivi, continuei vivendo e hoje sei que me permitiu ser a pessoa feliz que sou hoje. A dor não foi embora, nem irá, mas tornou-se parte de mim e como tal não causa mazelas de maior.

O paralelo que tracei entre a frase deste dia e o pensamento que adotei no passado fez com que um sininho tocasse bem fundo na minha alma.

A vida vai acontecendo e somos confrontados com a provisoriedade de tudo o que nos acontece.

Não há dor que não passe ou alegrias que não desvaneçam com o passar do tempo. Tal apenas pode ser negado se nos recusarmos a avançar e nos dedicarmos a ficar focados no que aconteceu. O que é contranatura, pois o ser humano foi feito para estar em movimento, para evoluir. A vida interpela-nos ao movimento.

Podemos relembrar as situações que nos aconteceram, mas nunca com a mesma intensidade. Tudo é fugaz e ainda bem. Muitas vezes damos por nós a tentar reproduzir as situações em que fomos felizes de forma a que as sensações vividas sejam “ressuscitadas”. Tal empreendimento está fadado ao insucesso pois que não somos os mesmos e o momento presente é um conceito apenas, assim que acontece deixa de existir.

A provisoriedade das coisas permite-nos viver novas situações, novos momentos e ampliar o nosso leque de vivências, tornando-nos infinitamente mais ricos.

Que nunca percamos a capacidade de nos lembrarmos de que há sempre um amanhã, que a única certeza da vida é que ela passa. E como tal devemos ser intransigentes em tirar dela o maior proveito.

Um 2023 feliz a todos, realçando que a felicidade é uma decisão nossa!

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Adénis Carvalho Silva

Adénis Carvalho Silva

"Filha, mãe, esposa, advogada. Amiga dos seus amigos. Leal, honesta e direta. Uma apaixonada por música, livros e pela escrita. Amante de uma boa conversa e de aprender coisas novas. Em permanente busca de novos desafios."

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