Vais sempre a tempo de escolher relações melhores

Esta crónica assenta no olhar de uma conselheira espiritual sobre a inércia humana em relação à mudança, mais precisamente sobre a resistência de tantos em mudar de vida, mudar de relação, no fundo, mudar a forma de pensar/estar/agir.
Vais sempre a tempo de escolher relações melhores

O que mais abunda por esta vida fora são almas sofridas que pouco ou nada fazem para extinguir o sofrimento de que tanto se queixam. Sobre isso, diz a spiritual coach Isabel Soares dos Santos o seguinte: “cada vez mais acompanho clientes e amigos que estão insatisfeitos nas suas relações amorosas, mas que nada fazem para mudar. Ouço todos os dias as desculpas mais elaboradas… ou é porque dependem financeiramente; ou porque não acreditam que merecem alguém melhor; ou porque cultivam a eterna esperança de que a outra pessoa mude; ou porque simplesmente não querem estar sozinhos.”

Vamos lá então dissecar cada um destes argumentos:

Depender financeiramente de alguém

És a única responsável por teres escolhido depender financeiramente de alguém. Por mais que te custe admitir, a verdade é que a qualquer altura da tua vida podes mudar isso, já que o que não faltam por aí são oportunidades. Portanto, se não mudas é porque não queres… Como não queres aceita as tuas escolhas e aprende a viver com elas.

Não acreditar que merece alguém melhor

Sou a primeira a reconhecer que existem pessoas manipuladoras, controladoras, mentirosas e compulsivas, que tudo fazem para nos fazer acreditar que não valemos nada. Percebo perfeitamente que te pode ser muito difícil sair de um ciclo de manipulação no qual te encontras há demasiado tempo. Mas de certeza absoluta que já foste feliz em algum momento da tua vida, em que te sentiste realizada, em que te sentiste dona da tua vida. Volta então a esses momentos em que te sentiste mais confiante e faz uma escolha entre “quero continuar a viver sem amor próprio” ou “quero recuperar/conquistar a minha confiança e aprender a amar-me longe de mentiras e manipulações”.

Cultivar a esperança que o outro mude

Este é um dos erros mais graves das relações atuais. Quando ouço alguém dizer: “ele só me bateu três vezes e eu até fiz queixa na polícia, mas depois perdoei…” fico arrepiada da ponta dos cabelos à planta dos pés. Acreditas mesmo que uma pessoa que foi violenta uma vez, duas vezes, três vezes, nunca mais o volta a ser? Acreditas mesmo que uma pessoa que trai uma vez nunca mais vai voltar a fazê-lo? Acreditas mesmo que uma pessoa que te manipulou e humilhou uma vez, nunca mais o volta a repetir? A única pessoa que está mal neste tipo de situação és tu, pois vives na fantasia de que o outro mudará, quando quem tem que mudar és tu. Se te amasses mais não aceitarias nem uma única vez algo que te fizesse mal.

Não suportar estar sozinha

É muito triste perceber que a maior parte das pessoas escolhem viver relacionamentos infelizes e abusivos pelo simples facto de temerem o celibato. Mostra a minha experiência que essas pessoas têm medo delas próprias, medo de vir a descobrir o seu lado sombrio e, mais do que isso, medo de não saberem lidar com essa realidade. Para uma boa parte delas antes um relacionamento infeliz de que relacionamento nenhum, que as obrigaria a olhar para dentro de si e assumir responsabilidades que não querem. Pode chocar esta minha afirmação, mas a razão que a sustenta é ainda mais chocante. Isto porque quando se está numa relação infeliz o que é mau é inteiramente imputado ao outro. Pois bem, fica a saber que tudo o que acontece num relacionamento é responsabilidade de ambas as partes. Essa de 100% vilão ou 100% vítima não existe na vida real. É 50/50. E não me venhas com essa conversa de que nunca fizeste nada de mal e o outro é que te bateu e o outro é que te traiu. Foi tua responsabilidade aceitar estar e permanecer nessa situação. E continua a ser tua responsabilidade, maior ainda até, quando, perante a verdade, nada fazes para alterar.

A qualidade da tua vida é reflexo da qualidade das tuas relações, tem sempre isso em mente. Vais sempre a tempo de escolher relações melhores. Isso se, de facto, queres ser (mais) feliz. Se não for esse o caso, deixa-te estar, que cada um tem exatamente aquilo que merece.

Ninguém aqui está a dizer que mudar é fácil. Nunca foi, nunca é, nem nunca vai ser. Só que é a única solução, o único caminho, para a verdadeira felicidade. Por mais que nos custe temos que estar preparados para a qualquer instante alterarmos os nossos planos. É apenas quando começamos a “pisar terreno escorregadio” que efetivamente vivemos. Até lá sonhamos acordados!e

 

Artigo originalmente publicado no blog Ainda Solteira, em 15 de novembro de 2018

 https://aindasolteira.blogs.sapo.pt/

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Sara Sarowsky

Sara Sarowsky

"Radicada em Lisboa, é blogger, cronista, inspiring talker, cupido profissional, organizadora de eventos e tudo o mais que a desafiar. Por gostar de ser/estar feliz, a sua escrita é recheada de humor e positividade, com uma pitada de sarcasmo pelo meio".

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