
A sociedade do cansaço… e da reclamação
Nunca estivemos rodeados de tanta tecnologia, de tantas soluções e de tantas comodidades. No entanto, nunca ouvimos tantas pessoas dizerem a mesma frase: “Estou cansado.”

Nunca estivemos rodeados de tanta tecnologia, de tantas soluções e de tantas comodidades. No entanto, nunca ouvimos tantas pessoas dizerem a mesma frase: “Estou cansado.”

Há uns anos, se alguém me dissesse que eu ia acordar às cinco da manhã para correr dez quilómetros, eu ria. Se me mostrassem uma pessoa a recusar um copo de vinho num jantar porque tinha um treino importante no dia seguinte, provavelmente pensaria: “Que exagero. A vida é para aproveitar.”

Há dias em que o corpo pesa mais do que devia. Dias em que a mente acorda cansada antes mesmo de começar o dia.

Há dias li um artigo, escrito pelo Bastonário da Ordem dos Advogados de Portugal, sobre a menopausa, no qual afirmava que este é um dos temas que permanecem invisíveis não por falta de relevância, mas por falta de atenção, e que está em causa a efetividade de direitos, entre os quais o direito à saúde e ao trabalho digno.

Nunca tivemos tanto acesso à informação como hoje. Em poucos segundos, qualquer pessoa pode pegar no telemóvel, pesquisar sobre alimentação, saúde ou estilo de vida e encontrar milhares de respostas. O problema é que, muitas vezes, essas respostas dizem exatamente o contrário umas das outras.

Há uma narrativa confortável que repetimos todos os anos no Mês da Mulher: mulheres devem apoiar mulheres.

Não é falta de tempo. É falta de prioridade. “Eu não tenho tempo.”

Vivemos num tempo em que a Internet se tornou o principal espaço de encontro da juventude cabo-verdiana.

Há anos que não pedem celebração. Pedem reconstrução.

Por estes dias, no grupo de amigas temos discutido sobre relacionamentos. Aliás, vai e vem, este assunto cai sempre na rede. Somos um grupo marcado por diferenças que nos une, nos faz crescer e amadurecer.

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