Cerca de 80 participantes de vários países marcam presença na 4.ª edição do festival “Kontornu” 

Evento que acontece de 11 a 16 de maio em Ribeira Grande e em Tarrafal de Santiago presta homenagem à bailarina e coreógrafa Marlene Freitas.

Cerca de 80 participantes provenientes de vários países, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas vão marcar presença na 4.ª edição do festival internacional de dança e artes performativas de Cabo Verde, Kontornu. O evento acontece de 11 a 16 de maio e é organizado pelo artista, coreógrafo e produtor cabo-verdiano Djam Neguim. 

“É um festival dedicado sobretudo à linguagem da dança contemporânea, cênica, mas também um espaço de performance para o teatro, o circo, as linguagens híbridas e as danças urbanas e também para diferentes manifestações contemporâneas”, explicou em declarações à imprensa, o diretor do festival, Djam Neguin.

O evento, segundo o mesmo, reúne cerca de 80 participantes provenientes de vários países, nomeadamente Portugal, Brasil, Grécia, entre outros, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas. 

O festival está centrado na cidade da Praia, mas tem uma extensão para a Cidade Velha  e o encerramento vai decorrer em Tarrafal de Santiago.  

A quarta edição presta homenagem à coreógrafa e bailarina cabo-verdiana Marlene Freitas, “um dos maiores nomes na dança contemporânea de Cabo Verde, e a nível internacional”. “Pela primeira vez, a Marlene Freitas vai dar um workshop de dança na cidade da Praia para partilhar um pouco sobre a sua história ligada à dança”, revelou Djam Neguin.

Artistas de várias áreas  marcam presença no Kontornu 

Mano Preto, Suellyni Furtado e Rony Blastoyse são três dos artistas que vão participar do Kontornu 2026 que marcaram presença na conferência de apresentação do festival. Mano Preto revelou em entrevista que no festival vai apresentar a peça “CV Matrix”, que já conta com mais de 20 anos de estrada. 

“Vamos apresentar o CV Matrix, uma peça que vai fazer agora 26 anos de existência e que foi estreada no CCB em Lisboa, em 2000, altura em que Orlando Pantera ainda estava vivo. Vai mostrar o percurso dos bailarinos que na altura tinham 20 e tal anos e que agora estão na casa dos 50 anos.”

Mano Preto, que já conta com 40 anos de carreira, vai igualmente apresentar um masterclass no evento que conta com os bailarinos do Raiz di Polon.

Quem também marca presença no Kontornu é a atriz de teatro do grupo “Fladu Fla” Suellyni Furtado que agradeceu à organização pela oportunidade de participar no evento, sendo que em 2025 já tinha participado numa atividade na Rua Pedonal.

Este ano vão ser igualmente feitas performances na Rua Pedonal, que vão abordar a temática do lixo, uma situação que está a afetar o meio ambiente e que preocupa a artista.  

“O objetivo é fazer performances nas ruas para levar a mensagem sobre a consciencialização sobre o lixo”, afirmou e acrescentou que a performance vai ser baseada no texto “Corpu Cansadu di  Lixu” e que vai homenagear “os homens e mulheres que se levantam cedo para cuidar do meio ambiente”.

O dançarino de danças afro-urbanas Rony Blastoise vai apresentar pela primeira vez em Cabo Verde, o solo “Sankafona beat Killing”, que teve a sua estreia em Salvador da Bahia, no Brasil, em 2022.

Paralelamente, a festividade abraçou a campanha solidária “ Menos Álcool, Mais Vida” que celebra 10 anos de existência.

“Outro aspecto importante sobre a realização do Konturnu é incentivar os jovens para a prática da dança como uma alternativa às dificuldades da vida, que na maioria das vezes levam a consumir álcool e outras drogas”.

Está também planeado um encontro internacional de programadores e curadores de dança que vai ser realizado pela primeira vez este ano na Cidade Velha, e o Kontornu Dance Camp, que é uma residência artística que reúne jovens bailarinos de diferentes países e o Kontornu Dance Battle, no Tarrafal.

O evento conta com uma programação infantil dedicada às escolas com a participação de Ricardo Lima, um artista circense, malabarista que vem pela primeira vez a Cabo Verde, e de Sara Estrela, que é diretora do espetáculo Cabral Corpo, entre outras atividades. 

Djam Neguim divulgou que os espetáculos vão acontecer no Auditório Nacional, no Centro Cultural Português, Palácio da Cultura Ildo Lobo (PCIL).

Nadia Pires/Jornalista Estagiáriapara

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