Primeira edição do Festival de cinema Kafuka é “o culminar de anos de sonho”, diz curadora

O filme "Black Tea", do realizador Abderrahmane Sissako, foi a primeira obra a ser apresentada no âmbito do evento.

A sala Beijing na Presidência da República foi o cenário escolhido para o arranque nesta quinta-feira, dia 16, da primeira edição do Festival de cinema Kafuka, um festival dedicado  ao cinema africano. Para Natasha Craveiro, diretora artística e curadora do festival, este primeiro evento é o culminar de um de sonho que se tornou realidade.

Foi ao som da música de Orlando Pantera e no compasso de bailarinos cabo-verdianos que se deu a abertura da primeira edição do Festival de cinema Kafuka, no Palácio da Presidência, no Platô. O momento cultural contou também com a declamação de Edyong Lennon.

Na abertura, a diretora artística e curadora do festival, Natasha Craveiro, afirmou que a realização do festival “é o culminar de anos de sonho, de trabalho duro, de frustrações, mas também de muita teimosia.”.

“Desde há anos, que em cada viagem que fazemos, em cada festival internacional onde vamos (…) questionamos sempre: “E se fosse em Cabo Verde? E se fosse na nossa Praia Maria?” Era um sonho recorrente, tema de várias conversas, nesses festivais e cá em casa, com amigos e colegas do audiovisual. Mas como todos sabemos, o sonho é uma coisa e a realidade do cinema em Cabo Verde é outra”, afirmou a curadora e salientou que “fazer cinema é um desafio enorme, lutar contra ventos e marés, de financiamentos que teimam em não chegar, de equipamentos que faltam, de infraestruturas que ainda não existem”.

Natasha Craveiro agradeceu igualmente ao amigo Samuel Tebandeke, produtor e diretor do Uganda, pelo incentivo na realização deste sonho. Presente no evento, o profissional encontra-se em Cabo Verde para apresentar no Kafuka o filme “Ziwa”. Além de Tebandeke, o festival conta com a presença de outros realizadores africanos que têm obras representadas no evento.

Natasha Craveiro agradeceu ainda aos incentivadores e parceiros do festival e finalizou lembrando que é “obrigação dos criadores e coordenadores da memória, abrir portas e janelas para as novas gerações”.

Presente no evento, o ministro da Cultura, Augusto Veiga, destacou que o nome do Festival – Kafuka – é uma poderosa metáfora e “evoca raízes, movimento, transformação e luz”, refletindo o espírito do evento e de um cinema que “enraíza e eleva”, ligando passado, presente e futuro.

O governante salientou que, “num momento em que o mundo redescobre as culturas do sul global”, o cinema africano ganha força como ferramenta de construção de novos imaginários, de resistência e esperança. Nesta linha considera que Cabo Verde, pela sua natureza de cruzamentos e diálogos, é o lugar ideal para esta reflexão.

O ministro reconheceu o papel essencial de realizadores, produtores, atores e técnicos na valorização da identidade africana e na projeção do continente no mundo, e agradeceu à organização e aos parceiros do festival.

Reafirmou ainda o compromisso do MCIC com o fortalecimento das indústrias criativas, especialmente o setor audiovisual, lembrando que o cinema é também economia, educação e diplomacia.

Também presente no certame, o edil praiense, Francisco Carvalho, garantiu a parceria da Câmara da Praia, CMP, para “materializar mais sonhos sempre que possível”.

O filme “Black Tea”, do realizador Abderrahmane Sissako, foi a primeira obra a ser apresentada no âmbito do evento que conta com mais de 40 filmes do continente africano, bem como da diáspora.

Com um orçamento de 2 mil contos, o festival foi idealizado pela Korikaxoru Films, uma produtora de cinema independente, e é organizado pelo Koletivu Nhanha, um coletivo de mulheres cabo-verdianas no cinema e no audiovisual, em parceria com as produtoras Seiba Produções, LentIlhas e Nós Raiz.

A primeira edição do Kafuka African Film Festival vai até 19 de outubro e todas as sessões são gratuitas mas com necessidade de levantamento de bilhetes pela plataforma online SoldOut.

Além do alto patrocínio do Presidente da República, a primeira edição do Kafuka conta com apoio de vários parceiros nomeadamente o ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), edilidade praiense, embaixadas, entre outros.

Balai Kultural

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