Samira Vera-Cruz arrecada mais um prémio no cinema. “Sempre soube que Sumara Maré é especial”

Realizadora cabo-verdiana confessa que não esperava "arrecadar tantas nomeações, tantas seleções para festivais e prémios" com esta curta-metragem.

A realizadora e produtora cabo-verdiana venceu nesta segunda-feira, 09, o prémio de Melhor Curta Documentário no Festival Pan-Africano de Cinema de Londres.

“Sempre soube que o Sumara Maré é um filme especial, até porque marca uma nova fase da minha vida enquanto realizadora e marcou também uma nova fase de trabalho em colaboração noutros formatos com uma equipa incrível. Então, sempre soube que Sumara Maré era especial, mas não imaginava arrecadar tantas nomeações, tantas seleções para festivais e prémios. Não esperava, mas aceito com muita humildade de saber que não é fácil, mas de gratidão pelo reconhecimento, sobretudo”, começa por dizer a cineasta cabo-verdiana Samira Vera-Cruz em entrevista ao Balai.

Foi com “muita surpresa”, que a realizadora e produtora recebeu nesta segunda-feira, 09, a notícia de que a curta-metragem Sumara Maré, que retrata o fenômeno da apanha de areia na ilha de Santiago, rendeu-lhe mais um prémio, desta vez de Melhor Curta Documentário no Festival Pan-Africano de Cinema de Londres.

Nunca esperei ser selecionada para o Festival Pan-Africano de Cinema de Londres e muito menos ser selecionada para a Melhor Curta Documentário, especialmente tendo em conta a qualidade dos outros filmes que estavam na competição, não desmerecendo o nosso, mas tendo a humildade de saber que não seria fácil e nem garantido. Então, é com muita honra, surpresa e coração cheio.”

A curta-metragem Sumara Maré já foi exibida em vários países e já rendeu à cineasta cabo-verdianos também os prémios de Melhor Roteiro no BEE Film Festival no Brasil, “que foi um prémio muito especial por se tratar de um festival que tem uma vertente de mulher realizadora”, e o Prémio do Júri nos Lusomovies que aconteceu em Roma, Itália. “Em menos de um ano, tendo em conta que a primeira vez que visualizamos o filme em público foi em fevereiro, é de louvar e enche mesmo o coração.”

Após cinco meses fora do país em formação em Moçambique, África do Sul e Estados Unidos da América, Samira Vera-Cruz está de regresso ao país e diz que foi uma experiência desafiante fisicamente e psicologicamente, mas considera que cresceu muito enquanto realizadora e cineasta.

“Esta formação acabou por ser diferente do que estava à espera porque fiz não só o African Science Film Fellowship, mas também me dediquei ao mergulho”, diz e acrescenta que posteriormente pretende fazer um curso de Filmografia debaixo de água para poder filmar a vida marinha em Cabo Verde. “Acabei por descobrir uma nova paixão.”

Ainda dentro do African Science Film Fellowship, Samira Vera-Cruz vai produzir uma curta-metragem com um cientista cabo-verdiano e no final do mês regressa à África do Sul para dar continuidade à sua jornada debaixo de água.

“Tem sido um ano sem parar e eu própria tenho dificuldade em acompanhar tudo o que está a passar, mas o sentimento que fica, além da surpresa, do espanto e de tudo mais, é de muita gratidão de ver o nosso trabalho que tem sido árduo ser recompensado, reconhecido, enquanto estou a trabalhar também no meu próximo documentário híbrido produzido pelo Pedro Soulé. É gratificante estar a trabalhar tantas coisas ao mesmo tempo e conseguir ver que há muita atenção internacional voltada para nós”, diz e salienta que vai continuar a trabalhar com muita força.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Agenda