Cardeal Dom Arlindo pede que recursos disponíveis estejam ao serviço do bem comum dos cabo-verdianos

O bispo de Santiago, cardeal Dom Arlindo Furtado, apelou hoje aos políticos a tomarem as decisões que ajudem a melhorar a situação dos cabo-verdianos, disponibilizando os recursos ao serviço do bem comum e do bem-estar das comunidades.

Depois de apresentar os cumprimentos de Ano Novo ao Presidente da República, José Maria Neves, o cardeal lembrou que Cabo Verde está inserido no contexto mundial e como tal, não escapa às complexidades e conflitos de inflações e transportes, sinal claro da “falta de entendimento” entre os decisores.

Em conversa com o chefe de Estado, disse que este apresentou uma análise global e da habitual dificuldade que o País enfrenta, sublinhando a contribuição da igreja enquanto uma instituição “forte e rigorosa” que fornece, junto das pessoas, os mecanismos visando a melhoria da qualidade nas relações e “esperança” de uma vida melhor.

No entender de Dom Arlindo Furtado, constitui um factor “importante” que os recursos disponíveis estejam ao serviço do bem comum de todos, o bem-estar e a felicidade partilhada.

“A igreja tem a função específica que é a evangelização, mas também a celebração da fé e acompanhamento das pessoas. Depois da covid-19, houve um impacto forte no equilíbrio das pessoas, na estabilidade emocional a nível individual e de família. A igreja tem um papel importantíssimo no acompanhamento individual e colectivo sobretudo familiar das pessoas”, salientou, acrescentando que isto ajuda na tomada das melhores decisões.

Questionado sobre o anúncio do Papa Francisco de autorizar a bênção dos padres aos casais homossexuais, parte da declaração “Fiducia supplicans” publicada pelo Dicastério para doutrina da Fé, explicou que a igreja sempre foi clara quanto à criação do homem e da mulher.
Disse que o anúncio não altera a doutrina tradicional do casamento defendida pela Igreja Católica, uma vez que Deus fez essa união para “gerar e educar os filhos” para a sociedade.

“(…) nós sabemos que o ser humano quando nasce precisa do contributo estável do pai e da mãe para também o seu equilíbrio pessoal. A igreja é mãe de todos, acolhe a todos e como na família há pessoas com muitas qualidades, há pessoas que são medianas em termos de qualidades humanas e faculdades intelectuais e há pessoas que podem ter dificuldades “, esclareceu.

Dom Arlindo avançou que a igreja estabeleceu como parâmetro a “vontade de Deus” e Cristo como “bom pastor” vai à procura de todas as ovelhas mesmo as que se perderam para “ajudar e proteger” na medida do possível.

Conforme assegurou, em todas as paróquias, os padres abrem “dias de atendimento” para ouvir as pessoas com crise e défice de confiança relacional, visto que “tem muita coisa para partilhar e precisam, mas com quem?”.

“Quando se trata da questão da família, a igreja tem um papel essencial e incomensurável na reconciliação e diálogo para estabilidade e o bem-estar de cada um.

Para além do trabalho social material e de formação, mas sobretudo esse papel fundamental de humanização que cabe à igreja e faz com toda generosidade e amor” precisou, realçando que a meta é conseguir dois padres por cada paróquia.

Segundo o mesmo, a diáspora pede constantemente a presença de sacerdotes cabo-verdianos para acompanhar as mudanças sociais, todavia ainda não foi possível chegar a este nível.

“Porque se aqui o papel do sacerdote é essencial, na diáspora não é menos porque a complexidade é ainda maior. Deus tem dado alguns sacerdotes graças a ele, e graças ao empenho da igreja, mas precisamos de muitos mais para cobrir as nossas necessidades fundamentais seja no arquipélago ou na nossa vasta e querida diáspora”, sustentou.

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest