Crianças Desaparecidas: PR reitera que os familiares devem ser informados sobre o processo

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, disse hoje que independentemente das reservas que são “legítimas”, quando se faz uma investigação, nomeadamente no caso de crianças desaparecidas, os familiares devem ser mantidos informados sobre o decorrer do processo.

“Independentemente das reservas que são legítimas, do ponto de vista da informação e da comunicação sobre, por exemplo, as diligências que são feitas, deve haver mecanismo de informação e comunicação com os familiares, porque são eles que sofrem de uma maneira mais intensa e mais forte”, exortou o chefe de Estado.


Jorge Carlos Fonseca renovou este apelo, em declaração à Inforpress, à margem da visita que efectuou hoje ao Centro de Emergência Infantil da Praia, que acolhe crianças e adolescentes vítimas de maus tratos ou de abusos sexuais, ou ainda filhos de pais dependentes do álcool e outras drogas.


Para o Presidente da República, deve haver um canal entre as instituições que fazem investigação com os elementos das estruturas familiares, para, pelo menos, segundo ele, se dar uma “satisfação, um alento ou uma esperança”, a fim de estarem informados sobre o que se está a fazer com vista a localizar o paradeiro das crianças desaparecidas.


Conforme notou, há uma “dor muito forte” por parte das pessoas que vêem os seus entes queridos desaparecidos “e sem saber se estão vivos e onde param”.


Entretanto, colocando-se na pele de um familiar, Jorge Carlos Fonseca defendeu que este deve acompanhar o trabalho de investigação e, por isso, sublinhou, “deve ser informado”.


“Deve haver uma intensificação de esforços de investigação desses casos”, exortou , referindo-se às crianças desaparecidas, acrescentando que, numa audiência esta quinta-feira com o procurador-geral da República, este lhe informou que há “esforços investidos” nas diligências e que tem havido “alguma reserva na comunicação”, devido à complexidade dos casos.


Citando o o procurador-geral da República, afirmou que se está diante de uma investigação “complexa e aturada”, pelo que leva algum tempo.


Desde Fevereiro de 2018 que duas crianças Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú), se encontram desaparecidos e o País não sabe do paradeiro destes menores.


As crianças saíram de casa, em Achada Limpa, onde se encontravam na companhia da avó, para irem comprar açúcar na localidade de Água Funda, na Cidade da Praia, e “ainda não regressaram à casa”.


Ainda relacionado com o desaparecimento de pessoas em Cabo Verde, encontra-se também pendente o caso da jovem Edine Jandira Robalo Lopes Soares, que deixou a casa em Achada Grande Frente (Praia) alegando que ia levar o bebé para o controlo no PMI (Programa Materno-Infantil), na Fazenda, Cidade da Praia. Mãe e filho nunca mais foram vistos.


Edvânea Gonçalves, uma menina, também faz parte da lista negra das pessoas desaparecidas em Cabo Verde. Tinha dez anos quando saiu para fazer um mandado, a pedido da mãe, junto de uma vizinha a pouco mais de 100 metros da sua residência, e não voltou.


Neste caso, entretanto, Polícia Judiciária (PJ) informou, em Junho de 2018, que ossadas encontradas em Janeiro do mesmo ano na localidade de Ponta Bicuda, Praia, pertenciam à criança de Eugénio Lima.

 

Inforpress

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