Despedimento de 40% de pilotos da CVA: sindicato diz que há grupo de protegidos

O presidente do Sindicato Nacional de Pilotos da Aviação Civil (SNPAC) denunciou esta segunda-feira, 07, que há um grupo de pilotos recém-contratados pela Cabo Verde Airlines (CVA) que alegadamente foi posto na chefia para escapar ao despedimento anunciado.

 


Paulo Lima falava à Inforpress na sequência da notícia avançada hoje pelo A Nação ‘on-line’ dando conta que a CVA vai despedir 40 por cento (%) dos pilotos, informação comunicada a esses profissionais da companhia, este fim de semana, pelo sindicato.


“Falaram na redução na faixa dos 40%. O sindicato está apreensivo, embora, já há muito tempo que vinham falando nessa possibilidade. Agora, a questão são os requisitos a serem apresentados. Disseram que querem causar o menor impacto social possível com essa medida”, afirmou.


Segundo Paulo Lima, a CVA fez saber que, a partir desses 40%, quer fazer a campanha de reforma antecipada e ainda não renovar o contrato de pilotos que estão em regime de contrato.


“Temos pilotos que já estão praticamente nessa faixa de entrar na idade de reforma e também temos pilotos que, com a fase de expansão da companhia que estava a acontecer, foram contratados, no entanto esses ainda estão em regime de contrato e, pelo que disseram, não vão ser renovados os contratos”, contou.


Entretanto, diz o presidente do SNPAC que é uma medida que “não diminui a preocupação” do sindicato porque “ainda há algumas coisas para serem esclarecidas”.


“Sabemos que há conflitos dentro da empresa, nomeadamente devido ao facto de neste momento termos pilotos que são recentes, com menos anos de casa que uma boa parte, e que neste momento ocupam cargos de chefia e que foram-lhes criados mecanismos de protecção”, denunciou.


Paulo Lima disse que estes “foram protegidos com nomeações de última” [hora] pelo que pode vir a haver situações de injustiça e estamos a precaver. Nós apelamos à empresa para que faça de acordo com a lei”.


“O que está a gerar polémica é exactamente o facto de haver pilotos com bem menos anos de casa que, hipoteticamente, estão a ser protegidos”, disse, acrescentando que o “caso mais gritante” é a própria nomeação do director de Operação de Voos que se fez mesmo violando os regulamentos da empresa.


Segundo Paulo Lima, foi nomeado um co-piloto para a posição de director de Operação de Voos, “algo que ficou meio caricato”.


“Temos pilotos com menos de dois anos de casa que, praticamente, estão a ser protegidos em detrimento de pilotos que já têm mais de 10, 15 e 20 anos de casa. Isso está a criar um sentimento de revolta e de injustiça”, acrescentou.


Paulo Lima disse esperar, realmente, que medidas sejam tomadas pela administração da CVA que, “não obstante as variadas reivindicações da classe, contínua de ouvidos moucos a fazer o que quiser”.


A Inforpress tentou ouvir a assessoria da CVA para exercer o seu direito de contraditório, mas as tentativas de contacto revelaram-se infrutíferas.


Inforpress

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