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“A África é a maior reserva demográfica do mundo, em termos de juventude, e até 2050 vai registar um aumento considerável”, indicou o professor universitário, para quem o continente, no concernente à demografia, “é o futuro do mundo”.
Odair Varela fez essas considerações, em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia da África que hoje, 25 de Maio, se assinala.
Para ele, o grande desafio que se coloca aos estados africanos é conseguir “autonomia industrial e tecnológica suficientemente bem desenvolvida”, em ordem a aumentar a percentagem da produção interna.
Lembrou que o continente negro ainda não produz vacinas para muitas doenças, nomeadamente a covid-19, excepto a Africa do Sul que fabrica sob a patente de um país europeu.
“É fundamental que tenhamos autonomia na produção de vacinas”, lançou Varela, reconhecendo, porém, que nenhum estado é completamente autónomo nesta matéria e cita o exemplo da Índia que é o maior produtor do mundo deste fármaco, mas, neste momento, sublinhou, “está com problemas”.
Em seu entender, a África tem que apostar na vacinação da sua população, a fim de apostar na recuperação económica, porque está a sofre muito com a crise provocada pela pandemia.
Neste momento, conforme suas palavras, a maior parte da economia africana está voltada para a exportação de matérias-primas para as antigas potencias coloniais”, pelo que a mudança desta estrutura económica se afigura como “fundamental”.
Para Odair Varela, a criação da Zona do Comercio Livre em África, e que já entrou em vigor, foi um “momento de grande esperança” para o continente, mas que a presente pandemia veio a atrasar um pouco esta dinâmica de desenvolvimento e crescimento económico.
Segundo ele, a Zona do Comércio Livre não foi pensada agora, ma sim desde da década de 50, período do início das independências dos países africanos.
Lembrou que na década de 40 o primeiro Presidente do Gana, Kwame Nkrumah, defendera que a África devia ter um mercado comum.
O investigador lamenta que até agora a União Africana não tenha conseguido pôr de pé este projecto, com vista a permitir “maior articulação” entre os estados e, consequentemente, “aumentar o comércio e desenvolver a economia”.
Na sua perspectiva, isto não tem acontecido porque, salientou, “há uma grande ligação entre as nossas economias com as ex-metrópoles”.
“Os grandes portos africanos estão mais conectados com os portos europeu do que com os africanos”, observou Odair Varela.
Instado se os fundadores da Organização da União Africana, hoje estivessem vivos, estariam satisfeitos com o rumo que a África está a tomar, respondeu nesses termos: “Com certeza, alguns deles não estariam satisfeitos. Mas os processos históricos são sempre difíceis, pois há rupturas, mas também há continuidade”.
“O grande mérito da OUA foi conseguir ‘liquidar’ a dependência colonial, mas, infelizmente, não conseguiu combater a dependência neocolonial”, acrescentou o investigador, queixando-se que, até recentemente, grande parte do orçamento da organização continental vinha de fora.
“Isto faz com que os líderes [africanos] ainda estejam muito dependentes dos líderes estrangeiros”, comentou, ainda, Odair Varela.
Segundo ele, as elites autocráticas que se mantiveram no poder depois das independências dos países africanos, em vez de pensarem no desenvolvimento dos seus estados e apostar nas suas populações, empenharam-se na manutenção do poder.
Para o director do mestrado sobre a Integração Regional Africana, da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), é “importante” que se ensine nas escolas o percurso de algumas referencia africanas.
“Nós, a nível do continente, conhecemo-nos muito pouco. Há um grande desconhecimento dos cabo-verdianos em relação ao continente”, reconheceu, para depois admitir que esta ignorância se coloca mesmo a nível dos países da sub-região da qual faz parte Cabo Verde.
Apontou como razões para este desconhecimento o facto de as populações estarem em “espaços diferentes”, assim como os colonizadores e línguas terem sido também díspares.
Na sua opinião, Cabo Verde precisa “revolucionar” o seu curriculum académico, porque, defendeu, muitas vezes, “não reflecte a realidade de Cabo Verde no continente”.
Para Odair Varela, o arquipélago tem que “apostar seriamente” na integração regional e, por conseguintes, os frutos virão.
O Dia da África (anteriormente chamado Dia da Liberdade de África e Dia da Libertação de África) é a comemoração anual da fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), hoje conhecida como União Africana, a 25 de Maio de 1963. É comemorado em vários países do continente africano, assim como em todo o mundo.
Inforpress

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