Presidentes de Cabo Verde e de Alemanha querem criar novas possibilidades de relacionamento entre os dois Países – JMN

O Presidente da República disse hoje que está a trabalhar com o homólogo da Alemanha para mobilizar as sociedades civis dos dois países, alargar a cooperação, trazer novos actores além dos governos, para criar novas possibilidades de relacionamento.

José Maria Neves deu esta garantia após participar no lançamento da primeira pedra da construção dos laboratórios do Observatório Atmosférico de Cabo Verde (CVAO), junto com o Frank-Walter Steinmeier, Presidente da República Federal da Alemanha, país que financia a construção no valor de cerca de um milhão de euros incluindo o apetrechamento.

“Nós queremos chegar a um novo patamar, trazer universidades, fundações, institutos, investigadores, trazer empresas para que esta cooperação possa ganhar nova dinâmica e essa visita é auspiciosa neste sentido. Alargarmos a todos e não ser uma relação meramente inter-governamental”, afirmou.

Segundo José Maria Neves, a cooperação entre Cabo Verde e Alemanha é muito importante e é estratégica para o futuro de Cabo Verde e o lançamento da primeira pedra para o Observatório Climático de Cabo Verde é muito importante.

“Tem a ver com a análise do nível da emissão de gases com efeito de estufa. Também análise da bruma seca, da poeira que vem do deserto do Sahara, para ver os micróbios e todos os elementos que compõe essa areia que chega
aqui e permite-nos ver as doenças e as medidas que temos de tomar para facilitar a vida das pessoas”, advogou o Presidente da República para quem esse investimento é muito importante para o futuro.

“Esta é única estação que existe aqui nessa região e que auxilia o mundo para o efeito das mudanças climáticas. Esta cooperação tem-se mostrado extraordinariamente importante para o futuro”, destacou José Maria Neves, lembrando que a Alemanha também está a apoiar Cabo Verde fortemente no domínio da mobilidade eléctrica e na problemática da transição energética.

Por sua vez, o presidente do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG), Domingos Mendes, disse que o lançamento da primeira pedra daquela obra vai no sentido de substituir os contentores e construir um laboratório de aerossóis para fazer as análises.

“Esta visita do presidente da Alemanha abre um leque de parcerias para outras instituições de pesquisa internacional para podermos, cada vez mais, fazer estudos, fazer face às mudanças climáticas, promover bem-estar e diminuir as vulnerabilidades porque Cabo verde é um país que contribui muito pouco para as mudanças climáticas, mas o impacto é grande”, sentenciou.

A mesma fonte destacou que o Centro Atmosférico de Cabo Verde é de referência a nível mundial, porque é nele que se fazem o monitoramento das poeiras do deserto do Sahara, saber o seu impacto na saúde e no mar.

“Aqui neste centro nós recebemos instituições de pesquisas dos mais conceituados do mundo e realizam temporariamente pesquisas a nível internacional, há bem pouco tempo tivemos uma instituição norte-americana de lançamento de balões para fazer estudo atmosférico, para analisar possíveis fenómenos extremos como as tempestades, decorrência dos furacões no atlântico. Isso para mostrar a importância deste centro”, informou.

Segundo Domingos Mendes, o centro conta com a parceria da universidade de York, na Grã-Bretanha, e a de Leibnitz, na Alemanha, que junto com o INMG e outros parceiros realizam pesquisas fundamentais para as mudanças climáticas.
O prazo de conclusão da construção do laboratório será no início de 2024.

O Observatório Atmosférico de Cabo Verde (CVAO), situado no Calhau, faz parte de uma iniciativa bilateral entre o Reino Unido e a Alemanha para realizar observações terrestres e oceânicas de longo prazo na região tropical do Oceano Atlântico Norte.

Trata-se de uma estação global da Organização Meteorológica Mundial – Global Atmospheric Watch (WMO-GAW). Os dados atmosféricos para uso pela comunidade internacional em geral são regularmente depositados nos arquivos internacionais da OMO-GAW (WDMCG e WDCRG) e nos arquivos de dados do Centro de Análise de Dados Ambientais do Reino Unido (CEDA). As medições são rastreáveis a escalas de calibração internacionais.

A infra-estrutura actual inclui um laboratório climatizado, feito em contentor, e um acesso à torre de amostragem de 30 metros de altura.

Inforpress

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