Quase metade das mortes por terrorismo ocorrem na África subsaariana – relatório

Quase metade das vítimas mortais do terrorismo global em 2021 ocorreram na África subsaariana, região que está a emergir como o epicentro do terrorismo no mundo, conclui um relatório hoje divulgado.

O Índice Global do Terrorismo, divulgado pelo Instituto de Economia e Paz (IEP, na sigla em inglês), sediado em Sidney, conclui que, apesar de um aumento de 17% no número de ataques no mundo (5.226), o terrorismo fez em 2021 menos 1,2% de vítimas mortais, num total de 7.142 vidas perdidas.

O instituto, que reúne dados sobre incidentes de terrorismo, mortos, feridos e reféns, refere que em 2021 dois terços dos países do mundo não registaram qualquer ataque terrorista e 119 países não registaram vítimas mortais do terrorismo, o melhor resultado desde que começou a recolher estes números, em 2007.

Apesar destes progressos, os investigadores alertam que à medida que o conflito na Síria diminuía, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) e seus afiliados mudaram o seu foco para a África subsaariana e para a região do Sahel em particular.

No total, 3.461 das 7.142 mortes por terrorismo no mundo em 2021, ou seja 48%, ocorreram na África subsaariana e cinco dos 10 países mais afetados pelo terrorismo no mundo são africanos: Somália (3.º), Burkina Faso (4.º), Nigéria (6.º), Mali (7.º) e Níger (8.º).

Quatro dos 10 países com maiores aumentos no número de mortes por terrorismo são também africanos: Burkina Faso, República Democrática do Congo, Mali e Níger, três dos quais estão localizados no Sahel, sublinham os autores do relatório.

Esta região semiárida a sul do deserto do Saara tem vindo a ficar progressivamente mais violenta nos últimos 15 anos, com o número de mortes a aumentar em mais de mil por cento entre 2007 e 2021.

As mortes por terrorismo no Sahel representam hoje 35% das mortes por terrorismo em todo o mundo, quando em 2007 eram apenas 1%, e os países com maiores quedas no ‘ranking’ mundial do terrorismo desde 2011 são todos da região, incluindo Burkina Faso, Mali e Níger.

Em 2011, todos estes países estavam fora dos 20 países mais afetados pelo terrorismo.

E o aumento da violência não dá sinais de abrandar, alertam os investigadores do IEP, sublinhando que os recentes golpes de Estado na região “não auguram nada de bom para a estabilidade futura” da região.

Os autores do relatório sublinham que o grupo extremista Estado Islâmico na África Ocidental (ISWA, na sigla em inglês) é o mais letal no Sahel, sendo responsável por 23 ataques só no Níger, com uma média de 15,2 mortos por ataque.

Neste país, o número de mortos por terrorismo duplicou num ano, de 257 em 2020 para 588 em 2021.

Por outro lado, o sucesso das operações contra o grupo Boko Haram fez diminuir a atividade desta organização, reduzindo o número de mortos provocados por este grupo em 72% entre 2020 e 2021, de 629 para 178 vítimas.

Este fator fez diminuir em 10% as mortes por terrorismo ao nível da África subsaariana e colocou a Nigéria como o segundo país com maior redução de mortes a nível mundial, depois de Moçambique.

Lusa

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