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Regresso do ex-PR Sissoco à Guiné-Bissau deixa evidente que o golpe de Estado foi orquestrado por ele, diz analista. Mas Néxus Faria descarta protestos de ruas, dada a influência que o ex-PR tem junto das autoridades.

O ex-Presidente guineense Umaro Sissoco Embaló anunciou esta segunda-feira (28.09) o seu “regresso voluntário ao país” no próximo dia 4 de outubro. Sissoco, que foi deposto num suposto golpe de Estado a 26 de novembro passado, sublinhou, nas redes sociais, a necessidade “de colocar o interesse nacional e a estabilidade acima de quaisquer divergências políticas” e apelou a que a sua chegada à Guiné-Bissau decorra “num ambiente pacífico”.
Em entrevista à DW, o jurista e analista guineense Néxus Faria frisa que com este anúncio “fica mais evidente que o golpe de Estado de novembro foi orquestrado por Sissoco Embaló”, uma vez que, explica, de lá para cá, “não houve alterações das cirscunstâncias” no país. Néxus Faria antevê que este regresso venha a agitar a vida política do país.
DW: Sissoco Embaló anunciou o seu regresso à Guiné-Bissau. Porquê agora?
Néxus Faria (NF): Agora parece-me que ficou mais evidente de que o golpe de Estado que sucedeu no passado 26 de novembro de 2025. Claramente que se vai confirmando através dessa que era um golpe de Estado orquestrado por Umaro Sissoco para eventualmente mais tarde regressar a Guiné-Bissau, porque de contrário não há uma outra explicação lógica para isto. Como é que o regime deu golpe a um Chefe de Estado? Passado menos de um ano esse regime possibilita o regresso desse mesmo chefe de Estado, baseado em que pressupostos? Na medida em que não houve alteração das circunstâncias no país que residia, no qual resultou o golpe que culminou na sua saída?
DW: Nesse sentido poderíamos perguntar também se é por uma questão de segurança e se haveria condições para outros políticos, nomeadamente da oposição, regressarem também ao país…
NF: Nomeadamente, não é? Se o regresso vai ser possível, que seja possível para todos em condições de liberdade. Mas o regime que neste momento dirige a Guiné-Bissau não deu anuência para esta segurança a todos, nem expressamente a Sissoco. Eu já vi o dito cujo, o Presidente de transição, Horta Intanga, a fazer alusão de que Umaro, como qualquer outro guineense, podia regressar ao país. Mas regressando ao país, cada um teria de responsabilizar-se pelos seus atos. Isso não me parece uma garantia para que as pessoas, efetivamente, possam regressar ao país.
DW: O primeiro-ministro guineense, antigo aliado de Sissoco que criou o seu partido, já veio dizer que ambiciona mais na vida política do país. Como fica a situação agora, uma vez que os dois querem a mesma coisa?
NF: Eventualmente o atual primeiro-ministro de transição não é isento dessas aspirações e pulsões de querer ascender politicamente. E neste caso em concreto, é normal que Sissoco se sinta frustrado. Ele contava com a possibilidade de existir uma remota lealdadade da parte do PM aquando do seu regresso.
DW: Sissoco apela a que a sua receção no país seja “pacífica”. Antevê protestos?
NF: Muito dificilmente. Ele ainda dispõe de um conjunto alargado de pessoas que neste momento encontram-se na esfera do poder que vão garantir a segurança e neutralizar qualquer processo de manifestação ou oposição ao regresso de Sissoco. Outra coisa, a volta de Sissoco, até pelo histórico da Guiné-Bissau, não será uma volta pacífica.







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