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Após relatos de acumulação de lixo após a época festiva, tanto na praia da Kebra Canela, como no calçadão em Palmarejo Baixo, o Balai saiu às ruas para falar com a população sobre a situação. O vereador do Saneamento explica que a recolha de lixo é frequente e salienta que é preciso sensibilizar as pessoas.

A presença de resíduos e lixo na área costeira na cidade da Praia, nomeadamente junto à praia de Kebra Canela e no calçadão em Palmarejo Baixo tem preocupado moradores, banhistas e os praticantes de atividades desportivas. Entrevistados pelo Balai, os munícipes reconhecem que é preciso uma maior consciência ambiental por parte dos cidadãos, mas pedem que a Câmara Municipal da Praia (CMP) faça uma melhor gestão e recolha do lixo. Por outro lado, o vereador de saneamento da edilidade, Carlos Dias, defende que a recolha é frequente e salienta que é preciso sensibilizar ainda mais a população.
No calçadão em Palmarejo Baixo, a residente Aline Dstrand refere que a acumulação de lixo é uma situação que acontece todos os dias, o que tem gerado muita preocupação.
“Sempre que vou fazer a minha atividade física no calçadão, encontro lixo por toda a parte e às vezes os carros de lixo fazem a recolha, mas no dia seguinte os contentores estão cheios novamente. Tenho encontrado bolsas de plástico , alumínio, restos de alimentos com mau cheiro, etc..”
Como profissional da área da saúde, a moradora relata que a acumulação de resíduos pode trazer doenças graves para a saúde e que é importante consciencializar tanto as pessoas como as instituições.
“Consciencializar sobre os cuidados com o meio ambiente e a saúde é um ato que deve ser praticado por todos nós,” afirma.

Na mesma linha, o munícipe Carlos Delgado relata que o lixo em Palmarejo Baixo necessita urgentemente de melhorias, já que tem notado diariamente objetos como cartões, garrafas fora do contentor, o que também é prejudicial para o meio ambiente.
“Esta situação tem ocorrido tanto em épocas mais altas, como baixas, sendo que ao longo do ano tem ocorrido com maior frequência no verão”, afirma e destaca que apenas a Câmara Municipal da Praia não consegue controlar a situação, mas que a edilidade deve ter um plano definido para a recolha do lixo.
Outro entrevistado, Carlos Freitas, afirma que este problema está a afetar a vida diária da população mas também o meio ambiente que “sofre com os plásticos, o que tem trazido problemas para o nosso organismo, nomeadamente com os microplásticos.”
Para o munícipe, este assunto é uma “questão cultural” e lamenta que haja pessoas que façam “caraca” à beira mar e que depois deixam lixo por toda a parte.
“Tudo é educação e temos que consciencializar os adultos e as crianças sobre os cuidados do ambiente”, conclui.
Mais à frente, na praia da Kebra Canela, o nadador salvador Mírio Mendes relata que vários frequentadores da praia comem no local e acabam por descartar o lixo na areia, afirmando que frequentemente são os nadadores salvadores que apanham esses resíduos.
“São côcos lançados ao chão, sacos de plástico e papéis de bolachas, frascos de sumos, até camisinhas, fraldas e cigarros.”
O também nadador e salvador Alberto Monteiro salientou que as “pessoas trazem muito lixo para a praia”, mas destaca que ultimamente os contentores têm ajudado bastante e que no período de manhã ele próprio está de vigia dos contentores.
Contudo relata que nas encostas da praia há lixo em elevada quantidade, onde é possível encontrar resíduos variados.
Na mesma linha, o colega de Alberto Monteiro, Ronivaldo Costa, diz que a situação tem ocorrido nas férias, um período durante o qual as pessoas visitam a praia com maior frequência.
Como ativista também defende que as pessoas devem estar mais conscientes, salientando que os meios de comunicação devem trabalhar na sensibilização.
“É papel de todos nós e não só das instituições específicas. É importante trabalhar na sensibilização ambiental para informar as crianças e o público em geral”, conclui.
Para o banhista José Duarte alguns funcionários municipais não limpam de “forma adequada” e “somente recolhem os lixos das árvores.”
Acusa os funcionários de limpeza de irem para casa sem terminar o serviço e que quando tenta alertá-los não é levado em consideração, ressaltando que até as pessoas que vendem na praia deitam os resíduos no chão e que mesmo o lixo nos contentores passa vários dias sem ser recolhido.
Questionado sobre as críticas dos moradores, frequentadores e banhistas sobre a recolha do lixo tanto na Praia de Kebra Canela, como no bairro de Palmarejo Baixo, o vereador de saneamento da Câmara Municipal da Praia, Carlos Dias, explica ao Balai que sempre que a CMP é alertada, pelos munícipes para a presença de lixo nos bairros, os serviços municipais fazem a recolha no local com brevidade.
A mesma fonte salienta que a recolha na Praia de Kebra Canela é frequente e que as interrupções podem acontecer, por um ou dois dias, quando alguma das viaturas de recolha do lixo não está operacional devido ao desgaste.
Sobre a situação do lixo em Palmarejo Baixo, o vereador afirma que a câmara até já disponibilizou camiões e máquinas para ajudar à população numa campanha de limpeza organizada pelos próprios moradores mas que os contentores continuam a surgir cheios logo a seguir às recolhas.
O responsável pelo pelouro do Saneamento explica que a recolha do lixo na Praia é feita em rotas que abrangem todos os bairros e que o horário e a frequência variam conforme a zona, sendo a Direção de Saneamento responsável pelo controlo do horário.
Garantiu também que a situação do lixo na praia de Kebra Canela tem estado a “acalmar-se” e que a CMP está a repor os contentores.
“Temos 9 rotas de recolha de lixo em toda a cidade da Praia e já colocamos cerca de 160 contentores.”
O vereador destaca que além dos varredores de rua, a CMP também dispõe de profissionais que fazem a recolha de outros resíduos como plantas que são recolhidos numa carrinha, enquanto que os plásticos são recolhidos pelos carros de lixo.
Carlos Dias reconhece com preocupação a situação do lixo que é deixado nas praias após as “caracas”, mas diz que é um problema geral, alertando para o facto de que os resíduos deixados pelas pessoas vão parar ao mar.
Nesta linha, a CMP tem apostado na sensibilização e criou um programa intitulado “O oceano começa aqui”, em parceria com a Unesco, para trabalhar com crianças entre os 15 anos sobre a questão do lixo no mar.
“Temos também parceria com a Rádio “La Mueve” que transmite 3 vezes por semana o programa “Nha lixo, Nha responsabilidadi” e brevemente vai ser lançado um vídeo em diferentes plataformas sobre o lixo e as caracas,” garantiu.
O vereador levanta também a hipótese de as pessoas levarem o lixo para a praia propositadamente com alguma motivação política e até para causar desgaste à CMP e insta os meios de comunicação “a investigar as pessoas que deitam o lixo fora dos contentores”.
Nádia Pires/Jornalista Estagiária







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