Museu da Educação aposta na memória como ferramenta de aprendizagem e aproxima novas gerações do passado – mentora

O Museu da Educação, mais do que preservar objectos antigos, procura transformar a memória do ensino cabo-verdiano em ferramenta de aprendizagem para as novas gerações, com visitas, actividades pedagógicas e iniciativas dirigidas a alunos, professores, famílias e estudantes.

Criado em 2009 pela antiga inspectora de educação Clara Marques, o espaço, instalado na histórica Escola Grande, na cidade da Praia, recebe diferentes públicos e procura aproximar o passado da realidade educativa actual.

“É um museu dinâmico, porque nós fazemos muitas outras coisas”, afirmou hoje Clara Marques, que indicou que o espaço recebe alunos, professores, estudantes universitários, turistas, grupos e famílias interessados na história da educação em Cabo Verde.

Uma das particularidades do museu, segundo contou a Inforpress, é permitir que os visitantes, sobretudo as crianças, não se limitem a observar os objectos expostos, mas possam interagir com o espaço e colocar questões sobre o ensino de outras épocas.

“Eu conto às crianças toda a história da educação através dos acervos, através da museologia, do museu que nós temos aqui”, explicou.

Além das visitas, o museu promove actividades relacionadas com cidadania, ambiente, cultura e questões sociais, bem como iniciativas associadas a diferentes efemérides.

“Procuramos sempre trazer algo novo e comemorar as efemérides”, disse Clara Marques, referindo actividades realizadas no âmbito do Dia Internacional da Poesia, Dia Mundial da Água, Dia do Ambiente, Dia da Criança, Dia da Mulher Cabo-verdiana e Dia dos Heróis Nacionais, entre outras.

O museu criou também o Prémio Professor Cabo-verdiano, que chega à quarta edição.

O lançamento das candidaturas está previsto para 05 de Outubro, Dia Internacional do Professor, com o objectivo de incentivar docentes a apresentarem projectos ligados à educação.

A cerimônia de premiação dos trabalhos seleccionados deverá acontecer em Abril.

Para Clara Marques, a aproximação às escolas é fundamental para reforçar o papel do museu na comunidade.

A mesma fonte revelou que tem procurado estabelecer contactos com estruturas educativas para promover novas visitas, encontros e actividades.

Ao longo dos 17 anos, o projecto enfrentou dificuldades, sobretudo financeiras e relacionadas com a falta de apoio institucional.

Clara Marques admite que em alguns momentos chegou a ponderar abandonar o projecto.

“Várias vezes tentei dizer que não vale a pena continuar, porque os obstáculos são muitos, os impossíveis são maiores ainda”, contou.

Apesar das dificuldades, decidiu continuar à frente do museu, por considerar que a sua existência permite às futuras gerações conhecer uma parte da história da educação no país.

“Eu vou continuar, para que a geração futura conheça como é que foi a educação em Cabo Verde, como os professores reagiam e como eram os materiais que os avós e os pais estudaram”, afirmou.

“É preciso que todos nós juntemos as mãos para fazer muito mais”, reforçou.

Marques considerou ainda que a valorização do património educativo deve acompanhar a procura de respostas para os desafios actuais do sistema de ensino, num contexto de rápidas transformações sociais e tecnológicas.

“Gostava que todos os pais, professores e alunos procurassem encontrar algo diferente para contribuir para a qualidade do ensino em Cabo Verde”, apelou.

Para Clara Marques, o contacto das crianças e jovens com o museu constitui uma das principais razões para a continuidade do projecto.

“Fico satisfeita quando vejo aqui dezenas de alunos a virem visitar, fazer perguntas e interagir”, afirmou.

Ao fim de 17 anos, o Museu da Educação mantém-se como espaço de preservação da memória do ensino cabo-verdiano e de aproximação entre diferentes gerações.

Inforpress

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