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O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro reforçou a ideia que o executivo defende o autogoverno dos órgãos de comunicação social, sejam eles públicos, ou privados.

O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, responsável pelo pelouro da Comunicação Social, Lourenço Lopes, considerou que a subida de 11 posições de Cabo Verde no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa é um “sinal encorajador” para o governo, para o país e para os profissionais da comunicação social O arquipélago ocupa agora a 30.ª posição num total de 180 países no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2025, divulgado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras.
“Somos o 3º a nível do continente africano atrás da África do Sul e da Namíbia. É uma classificação que orgulha Cabo Verde, que prestigia a nossa democracia, os profissionais da imprensa livre, as instituições políticas nacionais, a sociedade civil, porque a liberdade de imprensa é uma construção coletiva, que se constrói todos os dias e é um desafio permanente”, afirmou Lourenço Lopes em declarações aos jornalistas no âmbito de uma conferência na Presidência da República alusiva ao Dia da Liberdade de Imprensa, que se assinala este sábado, dia 3.
Lourenço Lopes afirmou que esta subida no ranking foi recebida com humildade e sentido de responsabilidade, sublinhando que, tal como defende o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, não se deve “vangloriar quando se sobe nos rankings da liberdade de imprensa, nem se deve declarar luto quando se desce”. “ (…) acho que é um sinal encorajador para o governo, para Cabo Verde, mas também para os profissionais da comunicação social”, declarou.
O titular da pasta de Comunicação Social reiterou que esta é “uma área de soberania” e que o executivo defende “o autogoverno dos órgãos de comunicação social, sejam eles públicos, a Infopress e a RTC, sejam eles órgãos privados”.
“ (…) dos profissionais da comunicação social não esperamos em momento algum simpatia, porque entendemos que a imprensa livre deve escrutinar o poder político e a sociedade. A única coisa que esperamos dos jornalistas e dos profissionais da comunicação social, é que sejam verdadeiramente livres, isentos e que promovam o pluralismo e o exercício do contraditório”, salientou mostrando-se satisfeito com o “bom dinamismo que neste momento existe nos órgãos públicos e privados de comunicação social”.
Lopes destacou os avanços registados na Agência Cabo-verdiana de Notícias, Infopress, nomeadamente com o novo plano de cargos e carreiras, que no seu entender, deve estender-se à RTC e aos órgãos privados, como medidas para combater a precariedade laboral e empoderar os profissionais da área.
O secretário de Estado alertou também para os desafios colocados na era digital, nomeadamente a desinformação e a proliferação de fake news (notícias falsas), defendendo o investimento na formação dos jornalistas, na literacia mediática e digital, em geral. “A liberdade de imprensa é uma construção coletiva”, reiterou.
“Somos um país pequeno, mas relevante no contexto global. E se hoje podemos dizer que somos uma referência da democracia em África e no mundo, deve-se também, em larga medida, pelo nível de liberdade de imprensa que nós temos em Cabo Verde”, concluiu.
De salientar que o presidente da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, mostrou-se hoje satisfeito com a subida de Cabo Verde no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2025. No entanto, chamou a atenção para situações que precisam ser revistas como a precariedade laboral, os ataques online aos jornalistas e a nomeação de gestores dos órgãos públicos de comunicação social.
Decorre hoje ao longo do dia um ciclo de debates na Presidência da República que abordam temas como a precariedade no jornalismo e sua relação com a independência da imprensa; as ameaças e intimidações a jornalistas em Cabo Verde; o papel da justiça na proteção da liberdade de imprensa e o impacto da inteligência artificial e das redes sociais no jornalismo.
Cristina Morais







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