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A conferencista Clara Maria Silva defendeu ontem, dia 13, na Praia, que a educação continua a ser um dos maiores desafios das sociedades, que exige investimento contínuo e deve envolver os políticos, a igreja e a comunidade.

A professora catedrática de Pedagogia Geral e Social da Universidade dos Estudos de Florença, Itália, Clara Maria Silva, falava à margem da conferência intitulada “A interdisciplinaridade do saber pedagógico e a relação entre teoria e prática”, promovida pela Escola Universitária Católica de Cabo Verde (EU Católica).
O evento decorre no âmbito da colaboração interuniversitária entre a EU Católica e a Universidade de Florença e é destinada a estudantes, docentes, investigadores e a todos os interessados na área da educação, uma oportunidade de reflexão e partilha científica em torno dos desafios actuais da educação, da formação docente e da articulação entre os saberes pedagógicos e a prática educativa.
“A educação foi sempre um desafio. Hoje percebemos que temos de investir cada vez mais nela, porque as sociedades evoluem e enfrentam novas realidades”, afirmou.
A professora destacou ainda que a evolução tecnológica faz parte do quotidiano e deve ser acompanhada de forma consciente e reflexiva.
Na sua perspectiva, a tecnologia não deve afastar as pessoas da sua dimensão humana, mas sim ser utilizada de forma crítica e responsável.
Para Clara Maria Silva, a educação deve começar nos primeiros anos de vida, período que considerou determinante para o desenvolvimento emocional, intelectual e social das crianças.
Defendeu, igualmente, o reforço do apoio à parentalidade e à participação activa das famílias, das instituições e da comunidade no processo educativo.
“A educação é algo em que todos devem estar envolvidos, desde a política, a Igreja, a comunidade e o sentido científico”, sublinhou.
Relativamente ao tema da conferência, a docente considerou fundamental fortalecer a relação entre teoria e prática no ensino da pedagogia.
Explicou que não é possível desenvolver práticas inovadoras sem uma base teórica sólida, da mesma forma que a teoria perde relevância quando não encontra aplicação prática.
Segundo referiu, a articulação entre teoria e prática permite aos estudantes compreenderem melhor os princípios pedagógicos e aplicar os conhecimentos adquiridos nas experiências profissionais do dia a dia, sobretudo, no trabalho com crianças.
Destacou ainda a importância desta reflexão para os estudantes, particularmente, num contexto em que o ensino à distância e as novas metodologias de aprendizagem exigem uma atenção redobrada à componente prática da formação.
Por outro lado, defendeu uma maior valorização da diáspora cabo-verdiana, considerando que o contributo dos emigrantes vai muito além das remessas financeiras.
Na sua opinião, Cabo Verde deve encarar a diáspora como um recurso estratégico para o desenvolvimento científico, académico e social do país, aproveitando os conhecimentos, experiências e competências adquiridos pelos cabo-verdianos no exterior.
“A diáspora precisa de Cabo Verde, porque nós somos muito agarrados à nossa identidade. Voltar para Cabo Verde é reforçar o sentimento de nós, mas também Cabo Verde precisa de diáspora, não somente no sentido económico, mas no sentido do pensamento, do crescimento científico, em todas as áreas disciplinares”, concluiu.
Inforpress

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