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O executivo angolano e CEO da Pumangol, Ivanilson Machado, defendeu esta sexta-feira, dia 24, durante a abertura do congresso Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026, na Universidade de Cabo Verde, que, apesar dos avanços tecnológicos e da crescente utilização da Inteligência Artificial (IA), o sucesso das organizações continua a depender das pessoas e da capacidade dos líderes em capacitá-las.
Orador do painel “Liderança Humanizada num Mundo Disruptivo”, Ivanilson Machado alertou para o risco de as organizações concentrarem demasiada atenção na tecnologia e esquecerem o seu principal ativo: o capital humano.
“(…) Com o avanço da tecnologia, cada vez temos mais as pessoas focadas nisso, mas esquecemos um bocado do papel que as pessoas têm nas organizações.”
Embora reconheça o impacto da inovação tecnológica, o executivo considera que nenhuma transformação vai conseguir substituir o papel das pessoas.
“(…)Podemos fazer o investimento todo que quisermos em tecnologia, mas serão sempre as pessoas que vão, no fundo, dominar esse avanço tecnológico. (…) Nós temos que perceber que, como líderes, temos que continuar a capacitar as pessoas com conhecimento, porque a tecnologia avança, mas alguém tem de estar capacitado para utilizá-la da melhor forma.”
Para Ivanilson Machado, é precisamente esta aposta nas pessoas que caracteriza uma liderança humanizada.
“(…) Temos de acreditar nas pessoas, promovê-las e estar muito presentes. Para mim, a liderança humanizada é o reflexo da confiança que conseguimos criar nas pessoas, e isso só se consegue com presença.”
Durante a sua intervenção no Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026, Ivanilson Machado partilhou com a plateia os principais pilares que orientam o seu percurso enquanto líder, sublinhando que não existem fórmulas universais, mas sim experiências que produzem resultados.
“Liderança pelo exemplo”, “disciplina”, “proximidade”, “gerar autonomia”, e “desenvolvimento das pessoas” são os cinco pilares destacados por Ivanilson Machado.
“Eu continuo a acentuar muito nisso, desenvolver as pessoas, focar muito na disciplina, liderar pelo exemplo, estar ali com eles, não apenas orientar ou exigir.”
Questionado sobre os desafios impostos por um mundo cada vez mais disruptivo, o CEO da Pumangol afirmou que a pressão sobre as empresas e os seus líderes é hoje muito maior.
“As pessoas estão mais exigentes, a concorrência está cada vez melhor. Os media e as redes sociais, a qualquer momento, podem destruir a reputação de uma empresa por causa de um erro operacional”, disse.
Perante este cenário, Ivanilson Machado defende líderes mais preparados para ouvir as equipas e tomar decisões ponderadas.
“Devemos ser muito mais ponderados, ouvir mais a equipa, rodearmo-nos dos melhores profissionais para que possamos tomar as melhores decisões. O mundo disruptivo, no fundo, não reduziu a pressão sobre as empresas, sobretudo aumentou.”

Grande parte da mensagem do CEO da Pumangol foi dirigida aos jovens africanos, que consideram serem os maiores ativos do continente.
Segundo Ivanilson Machado, investir na juventude é crucial, mas alertou que os próprios jovens devem assumir a iniciativa de construir o seu futuro.
“(…)Temos de aproveitar esse potencial investindo nos jovens, (….), mas primeiro têm de ser os jovens a demonstrar essa vontade, interesse. Ao invés de esperar que alguém venha e do nada pega para investir. Não, nós temos de ser mais atrevidos, ambiciosos no que diz respeito a onde queremos chegar.”
Segundo explicou, talento sem disciplina deixou de ser suficiente.
“O talento hoje em dia não serve para nada, se não formos disciplinados. (…) A ser extraordinário, sobretudo. Porque hoje em dia ninguém quer mais trabalhar com gente medíocre.”
Outro dos alertas deixados pelo executivo prende-se com a necessidade de respeitar cada etapa do crescimento profissional.
Segundo afirmou, muitos jovens desejam alcançar rapidamente posições de liderança, sem respeitar o processo para lá chegar.
“Acreditar que para chegar ao topo, para ser um grande líder, para ser uma pessoa que inspira a confiança, é preciso seguir etapas, é preciso trabalhar para isso, é preciso demonstrar com resultados, é preciso criar confiança com gestos, com atitudes, com ações, com exemplo. E muitas das vezes é onde nós vemos a juventude a não o fazer”, salientou mais adiante.
Na sua primeira participação como orador em Cabo Verde – já tinha estado em outras ocasiões nas ilhas do Sal e São Vicente – Ivanilson Machado elogiou alguns exemplos de liderança no país como o Presidente da República, José Maria Neves, que descreve como uma “pessoa genuína”, o presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo e o selecionador dos Tubarões Azuis, Pedro Leitão Brito “Bubista”.
“(…) São grandes exemplos de liderança e que, de facto, demonstraram com resultados que os seus pilares de liderança funcionam.”
Avaliando a escassa adesão do público jovem na abertura do Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026, na Universidade de Cabo Verde, Ivanilson Machado deixou um desafio aos jovens cabo-verdianos: aproveitar mais os espaços de aprendizagem e investir continuamente no conhecimento.
“Eu acho que eventos como esse, com qualidade de oradores que temos aqui, sem dúvida mereciam uma sala cheia. (…) Antes de exigirmos das lideranças, há um trabalho a ser feito entre a juventude cabo-verdiana para que tenham sede do conhecimento, de participar nesses tipos de eventos, de investir no conhecimento próprio.(…) Temos de querer mais. Temos de ir atrás.”
O encerramento do Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026 acontece hoje, 25, na Universidade de Cabo Verde, e vai culminar com a entrega de distinções a líderes que se destacaram em diferentes áreas.
A primeira edição do Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026 reúne 66 oradores de 19 países, entre eles Angola, Brasil, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Nigéria, Senegal e Malawi. A ambição da organização é que o congresso passe a realizar-se de dois em dois anos e expandi-lo para as outras ilhas, bem como para outros países.
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