Após mais de uma década de carreira, Mindela Soares lança primeiro álbum “A Filha D’Lua”

O trabalho discográfico é composto por 14 faixas de música tradicional, mas com um toque de modernidade, como forma de chegar à nova geração.

Depois de 11 anos de carreira, a artista cabo-verdiana Mindela Soares, de nome próprio Ivanilda Soares Delgado, lançou nesta sexta-feira, 2, o seu primeiro álbum a solo intitulado “A Filha D’Lua” nas plataformas digitais. O trabalho discográfico é composto por 14 faixas de música tradicional como morna, coladeira, mazurca, funaná lento, e com um toque de modernidade.

“É um momento de emoção, realização. A Filha D’Lua é como o nascimento de um filho, é muito emocionante”, disse a artista em entrevista ao Balai.

A maior preocupação durante a preparação do álbum era a escolha do nome. O impasse, segundo diz, foi resolvido durante um sonho que teve com o pai, que faleceu há três anos.

“No sonho o meu pai disse-me que sou A Filha D’Lua. (…) A Filha D’Lua é uma metáfora que fala de mim ou de qualquer outro artista cabo-verdiano. Às vezes vemos o glamour que o artista apresenta, mas se chegarmos mais perto vemos as suas lutas para chegar num momento como este. É como a Lua, de longe é vista com aquele brilho inspirador, mas quando se chega perto dá para ver que atrás daquela beleza há uma lua que está cheia de crateras e se for vista de perto tem as suas imperfeições, algo que a torna ainda mais bonita”, conta, revelando que é uma cantora que já lutou para estar a viver esse momento e sem abrir mão das suas imperfeições que, segundo diz, a fortalecem como pessoa, mulher e cantora.

“Celina Ku Rosa”, “Fantasia d’nha sonho”, “Fogue Na Olhar”, “Funha”, “Grande Fogue”, “Haway Boys Rebera Bote”, “Home Ka Fera”, “Lua Djga Paga”, “Mininha d’Soncente”, “Mundo Mais Bonito”, “Nos Contradança”, “Problema”, “Morabeza” e “Laura” são as músicas que compõem o álbum.

As letras das músicas são de autores cabo-verdianos conhecidos como Manel di Candinho, Vasco Martins, Paulino Vieira, Vlú, Eurico Jorge, João Carlos Silva “JC” e Anísio Rodrigues, Zezé di Nha Reinalda, Nando da Cruz, Luís Morais, B.Leza, Manuel Clarinete e Dionísio Maio.

Segundo a artista, foi difícil escolher o repertório, principalmente dos temas mais antigos. “Não foi uma recolha muito fácil, mas fiquei contente com a seleção. As pessoas que trabalharam comigo também ficaram contentes com a seleção musical e espero que o público tenha o mesmo sentimento.”

O tema de lançamento do álbum é “Lua Djga Paga” de Eurico Jorge, um amigo de infância de Mindela Soares. Inicialmente, era outro artista que ia gravar a música, não era o seu estilo e apresentou o tema a Mindela que se identificou com o tema.

“Escolhi esse tema para fazer o videoclipe e para ser o tema de lançamento por causa da mensagem. A música fala de um legado de tradição, da luta da mulher cabo-verdiana, identifiquei-me na letra deste tema. Vai ser uma estreia para mim e para Eurico. Acredito que para ambos acaba por ser uma emoção em comum.”

Bau e Hernani Almeida na produção

A produção do álbum esteve ao cargo dos multi-instrumentistas Rufino Almeida, mais conhecido por Bau, e Hernani Almeida.

Conforme conta, Mindela Soares conhece Bau desde a sua participação no concurso Todo Mundo Canta (TMC) em 2015, do qual foi a vencedora, e desde então a tem acompanhado aos concertos em São Vicente.

“É daqueles músicos que começaram a dar-me diretrizes na minha carreira. Bau sempre me disse que no dia que fosse gravar o meu álbum gostaria de pelo menos gravar duas músicas comigo”, afirma, reforçando que Bau faz parte do seu percurso.

Já Hernani Almeida é um amigo de longa data, mas que nunca tinham trabalhado juntos. “Hernani é um músico de alma e tem sensibilidade quando trabalha com a gente. (…) É bom ter um músico como ele no meu trabalho discográfico. É uma grande valia e outra valorização”, disse, apontando que gravou duas músicas com Hernani Almeida.

“Acho que não podia ter uma junção melhor do que essa. Espero que este álbum entre na banda sonora da vida de qualquer cabo-verdiano.”

Questionada sobre o que gostaria que o público sentisse quando ouvir A Filha D’Lua, Mindela Soares responde: “Gostaria que o público sentisse todo o amor que coloquei neste álbum.”

“Pensei em fazer um álbum leve, que pode ser escutado agora e daqui alguns anos. Vejo a música tradicional como uma música sofisticada. Foi essa energia que coloquei no álbum e que essa nova geração possa ouvir e cantar as minhas músicas”, conclui.

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