Arqueólogos identificam vestígios da antiga “Frigideira” no Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago

Construída na sequência da tentativa da fuga coletiva de 2 de agosto de 1937, a estrutura constitui uma cela de isolamento utilizada como instrumento de punição severa.

Durante uma campanha de investigação arqueológica foram encontrados vestígios materiais associados à antiga cela de punição “Frigideira” no antigo Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago. As escavações que decorrem no âmbito do processo de preparação da candidatura do Museu do Tarrafal a Património Mundial da UNESCO vão receber a visita do ministro da Cultura esta quarta-feira, conforme avançou a tutela.

Construída na sequência da tentativa de fuga coletiva de 2 de agosto de 1937, “a “Frigideira” constitui uma célula de confinamento disciplinar caracterizada por condições de detenção severas, associadas à privação de ventilação, exposição térmica elevada e isolamento prolongado”.

Segundo o ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), os dados históricos e materiais disponíveis indicam que esta estrutura integrava um dispositivo sistemático de punição, inserido no regime de trabalho forçado e disciplina carcerária, sob a administração colonial portuguesa, que caracterizou o funcionamento do Campo de Concentração do Tarrafal entre 1936 e 1954, e posteriormente entre 1961 e 1974.

Estas intervenções, de acordo com a mesma fonte, integram o processo de preparação da candidatura do Museu da Resistência do Tarrafal a Património Mundial da Unesco e da valorização do sítio enquanto lugar de memória, investigação e documentação histórica.

Nesta quarta-feira, 13, pelas 11h00, o ministro da Cultura, Augusto Veiga, vai acompanhar as escavações arqueológicas, no momento em que se assinalam 52 anos da libertação do Campo de Concentração de Presos Políticos do Tarrafal.

Balai Notícias

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