
- PUB

A exposição “Língua KabuVerdianu: Nos Língua Materna” retrata a importância da língua materna e contextualiza o seu surgimento no século XV, a partir da fusão entre dois povos, os africanos e as pessoas escravizadas que foram trazidas do continente, e os europeus, particularmente os portugueses.
A explicação é da diretora dos Museus, Aleida Aguiar Monteiro, que acrescenta que a exposição também “mostra as várias resistências que ocorreram para que a língua cabo-verdiana singrasse em Cabo Verde”, além dos “passos que a língua poderá ter no futuro com a sua socialização”.
“Houve uma altura, por exemplo, no século XV, a língua cabo-verdiana era proibida em espaços públicos onde só se falava, por exemplo, português. Hoje em dia já temos essa dualidade, pode-se falar tanto português como crioulo. Não há uma imposição apenas da língua portuguesa. No ensino, por exemplo, também só se falava português. Hoje em dia já temos, por exemplo, algumas experiências piloto em algumas escolas em que já se leciona a língua cabo-verdiana”, explicou a responsável e citou outras formas de valorização da língua materna, nomeadamente com o Movimento Claridade, com livros editados na língua cabo-verdiana e não só em português.
A diretora argumentou ainda que “a língua é a parte fundamental de uma cultura”, tanto é que “as primeiras palavras que nós aprendemos a falar é na língua materna (…)”. “Esta ligação que nós temos desde o berço com a nossa língua materna e é esta ligação que nós temos com a nossa cultura, porque a língua é o pilar da identidade cultural de qualquer povo.”
No entender da mesma fonte, a preservação da língua materna passa por continuar a falar e “ter uma abertura maior noutros espaços públicos, passando também para outras esferas da sociedade”.
“Podemos dizer que a nossa língua materna nunca irá desaparecer porque é a ligação afetiva que o povo tem com a língua. É a sua identidade e a sua preservação (…) A forma de falarmos, a ligação que temos com a língua, acaba por perpetuá-la e salvaguardá-la”.
Conforme contextualiza Aleida Aguiar Monteiro, a questão da preservação da língua cabo-verdiana é atualmente da competência da direção do Património Imaterial.
A exposição, que vai estar patente durante pelo menos seis meses, é aberta ao público e conta com paineis em língua cabo-verdiana e também em inglês, que é a língua internacional, e em português também. Há também um sketch, jogos interativos, adivinhas, histórias e provérbios em crioulo, onde o visitante pode ouvir e ver, no caso dos vídeos.
Ainda no âmbito do dia da língua materna, acontece hoje, dia 25, o Seminário “A língua cabo-verdiana como veículo de afirmação da Identidade Cultural”, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Miguel.
Estagiária/ Daimara Furtado




Site agregador de notícias e conteúdos próprios e de parceiros, com enfoque em Cabo Verde e na Diáspora, que quer contribuir para uma maior proximidade entre os cabo-verdianos.
+238 357 69 35
geral@balai.cv / comercial@balai.cv / editorial@balai.cv



