Verónica Lii, a cantora de origem cabo-verdiana que luta para ser reconhecida e almeja pisar palcos nacionais

Em entrevista ao Balai, a cantora nascida em Portugal e atualmente a residir na França, disse que “a área da música é bastante difícil principalmente quando não se tem apoio”.

Sonhadora e amante da arte no geral, Vera Semedo, de nome artístico Verónica Lii, é uma artista filha de pais santiaguenses nascida em Portugal que está em busca do reconhecimento na área artística.

Começou a cantar ainda criança, e o seu nome artístico é uma homenagem às memórias musicais infantis. “Verónica” vem da junção de nomes que marcaram sua infância musical: Vera (ela própria), Nica (irmã), Ca (prima) e Elisângela (prima). “Desde pequena, cantar era a nossa brincadeira favorita. Hoje, mantenho viva esse sonho”, afirma em entrevista ao Balai.

Aos 15 anos gravou o seu primeiro single com o grupo de rap Alcateia. Entretanto, foi mãe aos 16 anos e teve de adiar temporariamente os seus planos para dedicar-se à maternidade.

“Passados alguns anos, o cantor Eddu voltou a despertar-me o interesse pela área. Eu era dançarina e na altura ele prometeu que iria integrar-me na sua produtora Egroove, mas não foi para a frente”, conta.

Hoje, entre o trabalho na área de limpeza e o investimento na sua carreira artística, Verónica Lii assume com clareza que a sua realidade está longe do glamour do mundo artístico. “Não posso ficar sentada a iludir a minha mente que sou uma estrela e que não posso trabalhar ou que vivo apenas da música e do cinema, quando não é real.”

“A música é mais do que um hobby, só que não chega para pagar todas as minhas contas. Não é sempre que tenho um espetáculo, as minhas plataformas ainda não são rentáveis. Se eu deixar de trabalhar para ser Verónica Lii passo fome. Tento não me focar nisso senão fico triste e deprimida. A área da música é bastante difícil quando não se tem apoio”, emociona-se.

“A música dos PALOP é a minha base”

Com alguns singles lançados nas plataformas digitais e muitos outros guardados na gaveta, Verónica Lii escreve e canta temas que vão além do amor. As suas canções falam de depressão, saúde mental, tráfico humano e alopecia, como no mais recente lançamento, “Je T’aime à la Folie”, uma homenagem à prima que superou o impacto emocional da doença com apoio e amor. “Se tenho a capacidade de fazer música não posso ignorar algumas coisas que observo à minha volta e que muitos preferem esconder.”

Apesar de afirmar que o feedback do público tem sido positivo, Verónica Lii avança que a jornada não tem sido fácil. “A nossa sociedade só valoriza números: se não tens views, não tens valor. Mas quem escuta com atenção gosta da minha música, e isso dá-me força.” Mesmo com poucos recursos financeiros, a cantora continua a lançar músicas de forma independente.

Embora nascida em solo europeu, Verónica Lii afirma que se sente cabo-verdiana. Muitas vezes questionada pela comunidade sobre a sua autenticidade, responde com o coração: “Mesmo que no documento consta que sou portuguesa, eu sou cabo-verdiana e é isso que me puxa. A música dos PALOP é a minha base.”

Atriz por instinto

Além da música, Verónica Lii tem-se aventurado no cinema com o realizador Basil da Cunha, tendo participado nos filmes Manga d’Terra, O Fim do Mundo, O Jacaré e Até Ver a Luz, neste último como figurante. “Trabalhar com o Basil é sempre bom. (…) Toda a equipa é uma família. (…) Já pedi para arranjar condições para vivermos só assim”, brinca.

No que tange aos planos para o futuro, Verónica Lii acredita que daqui a cinco anos vai estar a viver exclusivamente da música e com um álbum no mercado. “Tenho fé que serei reconhecida. Só espero ter a mesma sabedoria que carrego hoje.”

Já atuou no Estádio Lino Correia na Guiné-Bissau, em Portugal e em Marselha (França) e almeja pisar o palco do Festival da Gamboa, bem como do Sumol Summer Fest, em Portugal. “Mas o palco que acho que seria o mais importante para mim seria o do São Salvador do Mundo, de onde a minha família vem. Todos os anos envio propostas para a organização, mas é muito mais do que enviar uma proposta”, afirma desanimada.

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