Autarcas de Santo Antão “surpresos e perplexos” com “grandeza e expressão” da atualização de tarifas dos transportes marítimos

Os presidentes das Câmaras Municipais de Santo Antão manifestaram-se hoje “surpresos e perplexos” com a “grandeza e expressão” da atualização das tarifas dos transportes marítimos e mostraram “tremenda preocupação” pelos “impactos, consequências e efeitos” desta medida.

O presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão, António Aleixo, em nome dos autarcas, disse que as câmaras municipais desta ilha “não podem ficar indiferentes” a adoção desta atualização tarifária “nos valores da sua aplicação”, manifestando “a sua tremenda preocupação” pelos impactos que este novo tarifário vai ter nos serviços, empresas, operadores económicos e nas comunidades.

Conforme António Aleixo, está em causa a “permanente e indispensável mobilidade que sustenta a conectividade, unificação e complementaridade” entre as ilhas de Santo Antão.

Os autarcas reconhecem “a legitimidade” do Governo em atualizar as tarifas dos transportes marítimos de passageiros e cargas “na garantia de que sejam as mais justas e equilibradas, salvaguardando, além do interesse dos armadores, também o interesse dos utentes, “priorizando sempre o interesse público das ilhas”.

Para a atualização das tarifas de transporte marítimo, os autarcas santantonenses entendem que se deveria auscultar igualmente, além da Associação da Marinha Mercante e da Associação da Defesa dos Consumidores (Adeco), os municípios de Santo Antão e de São Vicente.

Esta atualização, segundo o presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão, ocorre “num contexto de mais uma crise internacional” de natureza económica, financeira, alimentar, nutricional e energética, despoletada pela guerra na Ucrânia.

“Assim, num contexto semelhante, a prudência e cautela aconselharia que a atualização das tarifas de transportes marítimos não tivesse esta expressão, dimensão e grandeza. Até porque, estavam em curso negociações para uma minuta de aditamento ao contrato de concessão de transportes públicos marítimos interilhas entre o Estado e a Cabo Verde Interilhas, que se justificava pelo facto de os serviços marítimos concessionados padecerem de insuficiências públicas reconhecidas na sua previsibilidade, frequência e regularidade”, notou.

Os presidentes das camaras municipais de Santo Antão estão contra a “discriminação tarifaria” entre os cidadãos estrangeiros e nacionais, considerando que esta medida que afetará o turismo nesta ilha.

Os autarcas exigem, por isso, que o Governo “elimine” esta discriminação para os cidadãos estrangeiros “ou no mínimo baixar drasticamente a sua expressão e a sua grandeza” para garantir a competitividade do destino turístico de Cabo Verde e de Santo Antão.

Os presidentes das câmaras municipais de Santo Antão sugerem ainda ao Governo que introduza “fatores de mitigação” dos impactos dos aumentos que tenham em conta “o encarecimento do custo de vida, a perda dos rendimentos, a redução do poder de compra e deterioração das condições de vida das famílias”.

Inforpress

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