Banco Mundial aponta fraca conectividade entre ilhas como entrave ao crescimento do sector privado em Cabo Verde

Banco Mundial aponta fraca conectividade entre ilhas como entrave ao crescimento do sector privado em Cabo Verde

O Grupo Banco Mundial identificou esta terça-feira, 14, a fraca conectividade entre as ilhas como um dos entraves ao crescimento do sector privado em Cabo Verde, defendendo reformas no sistema de transportes para reduzir custos e melhorar a mobilidade.

O especialista sénior de transportes do Grupo Banco Mundial, Philippe Neves, apresentou esta análise durante o lançamento do Cabo Verde Economic Update 2026, defendendo que “a fraca ligação entre ilhas trava o crescimento do sector privado”.

Segundo o especialista, o sistema de transportes cabo-verdiano assenta em dois modos complementares e interdependentes: o transporte aéreo, que garante rapidez e serve passageiros de maior valor e mercadorias urgentes, e o marítimo, considerado a base da logística, do transporte de carga e dos passageiros de menor rendimento.

Philippe Neves explicou que, quando um destes sistemas apresenta fragilidades, aumenta a pressão sobre o outro, elevando os custos e limitando a mobilidade laboral, a convergência de preços e o desenvolvimento de cadeias de valor locais.

O responsável destacou que, apesar de o turismo representar cerca de 25 por cento (%) do Produto Interno Bruto (PIB), a economia nacional ainda capta pouco desse valor, apontando que 95% do investimento turístico está concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista e que cerca de 80% dos alimentos consumidos nos hotéis são importados.

Acrescentou que existe uma discrepância entre as zonas produtoras e os principais destinos turísticos, indicando que 83% das terras agrícolas estão localizadas em Santiago, Santo Antão e Fogo, enquanto a procura turística está concentrada, sobretudo, noutras ilhas.

Para Philippe Neves, os principais constrangimentos da conectividade interna estão relacionados com a fiabilidade dos serviços, a acessibilidade dos preços e a cobertura desigual entre as ilhas.

No transporte aéreo, apontou que a rede doméstica ainda não recuperou os níveis de 2019, com cerca de 0,85 milhões de passageiros, abaixo dos 0,97 milhões registados naquele ano, referindo que o problema não é a falta de procura, mas a oferta disponível.

Relativamente aos preços, afirmou que uma viagem de ida entre Praia e Sal custa, em média, cerca de 85 euros, podendo uma deslocação de ida e volta representar entre 100% e 145% do salário mínimo mensal.

No sector marítimo, referiu que algumas ilhas, como Santo Antão e Brava, dependem exclusivamente deste modo de transporte, enquanto outras apresentam frequências reduzidas de ligações.

Como resposta, o relatório do Banco Mundial propõe reformas centradas na abertura da aviação à participação privada, contratos de serviço público baseados em desempenho, maior transparência regulatória e modernização das concessões marítimas.

Durante a apresentação, a economista sénior do Grupo Banco Mundial, Anna Carlotta Massingue, destacou igualmente o desempenho da economia cabo-verdiana em 2025, caracterizado por um crescimento robusto de cerca de 6,0%, pelo segundo ano consecutivo.

A responsável salientou como marcos do ano passado o recorde de chegadas de turistas, com cerca de 1,25 milhões de visitantes, e um saldo orçamental positivo de aproximadamente um por cento do PIB, embora tenha alertado para a persistência de vulnerabilidades estruturais nas finanças públicas, nomeadamente, o peso do serviço da dívida.

Anna Carlotta Massingue indicou que, para 2026, o Banco Mundial prevê uma desaceleração do crescimento económico para 4,8%, devido à normalização após o desempenho de 2025 e aos riscos associados ao contexto internacional, incluindo o conflito no Médio Oriente, possíveis choques climáticos e um eventual abrandamento dos mercados europeus.

Inforpress

ARTIGO ATUALIZADO (nomes dos especialistas)

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