Conflitos, aumento do preço dos cereais e clima entre factores que agravam situação alimentar na África Ocidental e na região do Sahel

“Transformações dos regimes alimentares, mercados e preços no Sahel e na África Ocidental” vai ser o tema central da 39ª Reunião da Rede de Prevenção de Crises Alimentares (RPCA) que arranca hoje, dia 5, na cidade da Praia.
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Cerca de 29,5 milhões de pessoas encontravam-se em situação alimentar de crise ou emergencial na região do Sahel e da África Ocidental entre março e maio deste ano. Os conflitos armados, o aumento do preço dos cereais e as mudanças climáticas são alguns dos fatores que influenciam esta situação alimentar na região.

As informações foram avançadas durante uma sessão de esclarecimento destinada aos jornalistas nacionais e estrangeiros presentes no país no âmbito da 39.ª reunião da RPCA.

A Rede de Prevenção de Crises Alimentares, RPCA, reúne-se duas vezes ao ano com o “objetivo analisar e avaliar a situação alimentar e nutricional na região (do Sahel e da África Ocidental), fornecer aos decisores instrumentos cruciais para a tomada de decisão, promover o diálogo político e coordenar as intervenções necessárias para mitigar as situações de crise alimentar na sub-região.” A segunda reunião deste ano acontece esta terça-feira, dia 5 de dezembro, na cidade da Praia e é presidida pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

Neste encontro, além de ser analisada a situação alimentar e nutricional da região do Sahel e da África Ocidental, serão promovidos debates em torno do tema central: “Transformações dos regimes alimentares, mercados e preços no Sahel e na África Ocidental: Implicações para as políticas agrícolas de segurança alimentar e nutricional”.

Segundo Sidy Gueye Niang, da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) hoje em dia, apesar de existir alguma disponibilidade de alimentos, existe um desequilíbrio na capacidade de aquisição deste produtos no mercado, seja para consumo, seja para complementar a produção.

O especialista citou o exemplo específico do Gana, onde a situação da segurança alimentar está relacionada com a inflação, que afeta a capacidade das pessoas de aceder aos bens alimentares devido aos custos elevados.

Além disso, a crise de insegurança na região, que afeta países como o Mali e o Níger, tem dificultado o acesso da população aos terrenos agrícolas, bem como aos campos de pasto, o que leva ao empobrecimento em certas áreas, bem como ao surgimento de refugiados.

“É nas zonas de maior insegurança que o fenómeno é mais pronunciado, porque precisamente esta capacidade de produção está a desmoronar porque as pessoas não podem mais ir aos campos para produzir, elas têm bloqueios para o gado, para vender os alimentos ou para levar o gado para o campo”, salienta Niang.

É neste sentido que o especialista afirma que é importante a atuação dos governos “diante da situação de insegurança alimentar e nutricional”. “Espera-se que o governo reaja rapidamente para aliviar as populações que atualmente enfrentam dificuldades” e neste sentido a necessidade de existirem programas de proteção social e de alimentação escolar para atender às necessidades básicas das populações, inclusive Cabo Verde é citado como exemplo.

Por outro lado, Moussa Gueye, do Comité Permanente Interestadual para o Controlo da Seca no Sahel (CILSS), lembra do impacto da questão climática, nomeadamente as cheias, no Gana, por exemplo, e da seca na segurança alimentar na região, ressaltando ainda outro factor que é a situação de conflitos no mundo e o seu impacto em África.

Ambos os especialistas evidenciaram que é “ preciso continuar a debater e a investir de forma estrutural no combate à insegurança alimentar” e de que é preciso “fazer mais face à situação de países frágeis”. “É preciso apostar na diplomacia alimentar”, finalizou Niang, ressaltando a necessidade de negociar novas condições para a dívida, entre outros .

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