Durão Barroso defende uma África mais “unida e institucionalizada” para fortalecer parcerias com a Europa

O ex-Presidente da Comissão Europeia fez este pedido durante a conferência sobre os “Desafios da Situação Atual Geopolítica Internacional”, realizada, hoje, 15, na cidade da Praia.


“Faz sentido hoje ter uma África mais unida e mais institucionalizada, que esteja em melhores condições de priorizar o continente”, defendeu o antigo primeiro-ministro de Portugal e ex-Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, salientando que os governos africanos devem reforçar o diálogo e a cooperação internacional. Durão Barroso falava, nesta terça-feira, 15, durante a conferência sobre os “Desafios da Situação Atual Geopolítica Internacional”, no Palácio do Governo.

Para Durão Barroso existe um problema de institucionalização, que ao seu ver deve ser repensado. “A África é o continente com o maior dinamismo geográfico, com maior juventude e com tantos recursos, e faz sentido hoje ter uma África mais unida e mais institucionalizada, que esteja em melhores condições de priorizar o continente, de dialogar e cooperar com a Europa”.

Apesar dos problemas que a União Europeia tem, para o antigo governante a Europa foi capaz de conseguir um sistema supranacional, que defende cada país e os seus interesses, e ao mesmo tempo aceitar que há um interesse europeu, que às vezes leva os países a sacrificar parte dos seus interesses nacionais. “Eu não vejo esta união em África com a União Africana, mas a culpa não é da União, mas sim da organização”.

“A responsabilidade está nos governos, porque a União Africana só faz aquilo que os governos africanos lhe permitem que faça, mesmo em relação às Nações Unidas”, adiantou.

Questionado sobre como vê a União Africana, Barroso elogiou a ideia pan-africana de que todos os países que fazem parte de África podem comungar certos valores e trabalhar em conjunto. Mas apesar de ver esta união como algo positivo, realçou a importância da institucionalização. “É uma organização puramente intergovernamental, ou mais interpresidencial, porque na maior parte dos casos em África, são os presidentes que mandam”.

“Se queremos ultrapassar o nacionalismo negativo, temos que ter uma unidade mais forte, e é algo que a África não tem conseguido, a sua solidariedade com a União Africana, às vezes nem sequer pelas próprias cooperações regionais”, salientou Barroso.

Conhecedor da realidade do continente africano, dos 51 países, Barroso já visitou 36, um número notável, o ex-Presidente da Comissão Europeia destaca que existem situações notáveis em África, e que Cabo Verde é uma delas, inclusive com recursos naturais escassos.

“Vários (países) são produtores de óleo, de petróleo, e de outras matérias primas. Cabo Verde está no topo, de uma visão global de África. Há outros casos de sucesso africano, mas faltam coisas que são dramáticas. Penso que seria bom que África ganhasse esta sua institucionalidade, mas também que houvesse uma maior cumplicidade entre África e Europa. Se a África estivesse mais institucionalizada poderia estar numa posição de melhor defender os seus interesses e valores”.

O professor e antigo Primeiro-ministro de Portugal, Durão Barroso expressou a sua preocupação com a falta da união entre os governos africanos, durante a conferência sobre “Desafios da Situação Atual Geopolítica Internacional”, que contou com a presença do Primeiro-ministro, Ulisses Correia Silva, membros do governos, entidades, entre outros.

A conferência foi moderada pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Figueiredo Soares.

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